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Mundo

Opinião: Grécia nunca esteve tão isolada

Com encontro extraordinário em Bruxelas, Tsipras tentou novamente contornar as regras europeias. Mas o tiro saiu pela culatra: premiê grego está mais isolado do que nunca na UE, opina o jornalista Christoph Hasselbach.

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Jornalista Christoph Hasselbach

Ele não desiste: o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, quer mais dinheiro dos credores internacionais, mas de preferência sem estar sujeito a quaisquer condições. Seus esforços, mais do que nunca, se mostram inúteis. A Grécia está a um passo do abismo. Sem novos empréstimos, a inadimplência é apenas uma questão de semanas.

Em seu aperto, Tsipras conseguiu que o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, organizasse um encontro extraordinário com a chanceler federal alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, e representantes do primeiro escalão da União Europeia (UE), para encontrarem o que ele designou de solução "política".

"Política" significa, para o chefe de governo grego, "ignorar as regras". Essas regras são, na verdade, totalmente inequívocas, e não é de hoje: a Grécia recebe auxílio, mas em contrapartida tem que poupar e reformar, a fim de, em algum momento, poder caminhar novamente com os próprios pés.

Essas já eram as condições por ocasião do primeiro pacote de resgate, em 2010. Em 20 de fevereiro deste ano, os ministros das Finanças do Eurogrupo fizeram uma concessão a Atenas: o segundo programa de resgate, que estava prestes a se encerrar, foi prorrogado por mais quatro meses.

Entretanto, até hoje o Eurogrupo espera pelas sugestões do governo grego de como melhorar a situação financeira nacional. O que aconteceu foi o contrário: sem combinar com seus credores, Atenas introduziu novos benefícios sociais, que pesarão sobre o orçamento nacional.

Paralelamente, o governo, em especial o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, insultou praticamente todos aqueles de que a Grécia necessita como aliados, até mesmo o Banco Central Europeu (BCE). Ao que tudo indica, a prepotência dos atenienses sem gravata não conhece limites.

Em tais circunstâncias, era previsível que a minicúpula em Bruxelas não traria nenhum consenso sobre um rápido reforço da ajuda. Só houve confirmação daquilo que já era óbvio: que "dentro de alguns dias" a Grécia deve apresentar uma lista de propostas de reforma.

Mas Tsipras submeteu seus parceiros europeus a uma dura prova de paciência, e não só por não ter honrado suas promessas. Irregular é também a forma desse encontro, ou seja, como tentativa de contornar as regras.

Especialmente os países-membros menores da UE, como a Bélgica e a Holanda, não gostaram de não terem sido convidados para a cúpula extraordinária – embora contribuam para o auxílio à Grécia exatamente do mesmo modo que os pesos-pesados Alemanha e França. O único grêmio capaz de decidir tais questões é o Eurogrupo.

Na política interna, o governo grego tem frequentemente agido como se a Alemanha fosse seu único e exclusivo interlocutor na "luta" contra a política de austeridade. É claro que esse nunca foi o caso: quer se trate da Finlândia, da Holanda ou da Áustria, também os outros vão aos poucos perdendo toda compreensão.

Porém no mais tardar com esse encontro extraordinário em Bruxelas ficou claro quão isolada está Atenas. Tsipras e sua gente conseguiram até mesmo a proeza de gerar um novo respeito aos princípios entre os Estados-membros da União Monetária.

Antes, França, Itália e Espanha tentavam se opor à política de austeridade, que consideravam unilateral. Mas hoje ninguém nos governos desses países defende Tsipras, e todos insistem que compromissos devem ser cumpridos.

Não se trata de isolar Atenas só por isolar. Mas tomara que Tsipras tenha finalmente entendido que não irá adiante com essa tática que tem adotado. Se ele continuar falhando com as promessas feitas, então a Grécia não tem mesmo salvação.

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