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Alemanha

Opinião: Governador bávaro adota retórica do pânico

Ao falar de "autodefesa" contra refugiados, o político conservador não só ofende, mas também faz o jogo dos que incitam à violência xenófoba. É preciso evitar esse tom polêmico, opina a jornalista da DW Naomi Conrad.

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Naomi Conrad é jornalista da DW

Autodefesa, segundo os dicionários alemães, é uma forma de oposição "a que alguém é forçado por uma ameaça real, perigosa". "Autodefesa" é também uma palavra que o governador do estado alemão da Baviera, Horst Seehofer, gosta muito de usar no momento.

Que ameaça real, perigosa é essa, a que o estado que ele governa estaria exposto? Refugiados.

O também líder da União Social Cristã (CSU) anunciou que a Baviera vai aprovar um pacote contendo "medidas de autodefesa para limitar a imigração". Essa "autodefesa" prevê simplesmente mandar os refugiados de volta para a Áustria – uma decisão no mínimo questionável, no contexto das leis vigentes da União Europeia.

Pois o direito europeu só permite que migrantes sejam reenviados ao país pelo qual entraram inicialmente em solo da UE. E a Áustria dificilmente será esse país para qualquer um deles, mas sim, na maioria dos casos, a Grécia, a Itália ou a Bulgária.

Porém esse não é o verdadeiro escândalo. Com sua escolha terminológica, Seehofer também adota um tom altamente perigoso: refugiados não são nenhuma ameaça, e no momento não está ocorrendo nenhuma "migração em massa".

Ou seja: os refugiados que chegam à Alemanha não são uma gigantesca massa homogênea que desaba sobre a Europa e ameaça sufocá-la, e da qual caiba se defender.

Não, refugiados são seres humanos que fogem de bombas, fome, guerra e violência, que trilharam caminhos penosos, em parte sob perigo de vida, na esperança de encontrar paz e segurança. E, sim, são incomparavelmente muitos os que precisam ser acolhidos, os que inicialmente necessitarão de um teto, comida, roupa, e mais tarde de cursos de alemão, treinamento profissional e um trabalho.

Todas essas, aliás, também são questões que fazem parte do pacote de medidas do governo bávaro e que, sem dúvida, representam um enorme desafio.

Porém rotular essas pessoas agora como uma ameaça não é só ofensivo, como também temerário. Pois é fazer o jogo daqueles que, já agora, incitam contra os refugiados, exacerbando um pânico que nos casos extremos desemboca em violência. Somente este ano foram registrados 490 delitos contra abrigos para refugiados – uma cifra assustadora.

Não podemos deixar Seehofer adotar um tom polêmico assim. Desse modo, em última instância, ele abafa todas as discussões futuras, também aquelas que são urgentemente necessárias diante dos atuais desafios.

Precisamos travar uma discussão aberta, honesta e sobretudo judiciosa, sem detonar uma polêmica. Tal coisa deve ser possível numa Alemanha civilizada.

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