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Mundo

Opinião: Genocídio dos armênios deve ser chamado pelo nome

Pela primeira vez, Parlamento alemão usa termo "genocídio" para se referir ao massacre de armênios ocorrido há cem anos. Mérito é principalmente do papa e do presidente Joachim Gauck, afirma articulista Christoph Strack.

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Christoph Strack, articulista da DW

Finalmente: por ocasião do centésimo aniversário do massacre dos armênios, o Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) falou em "genocídio". É verdade que não no título oficial de uma moção conjunta de todas as bancadas, também não nas primeiras frases. Mas falou.

Já estava mais do que na hora de designar o extermínio sistemático de pessoas indefesas de forma clara. Isso não implica nenhum veredicto sobre a atuação política da Turquia moderna, que se vê hoje, mais uma vez de forma muito acentuada, como sucessora do Império Otomano – mas chama o país à responsabilidade.

Na decisão do Parlamento, dois homens foram de particular importância para o novo debate em torno do conceito de "genocídio": o papa Francisco e o presidente alemão, Joachim Gauck. Dez dias atrás, o líder da Igreja Católica celebrou uma missa com católicos armênios na Basílica de São Pedro.

E ele falou em "genocídio", como fez também João Paulo 2°, em 2000, e o próprio Francisco, em 2013. A liderança em Ancara chamou isso de "absurdo" e, irritada, convocou o embaixador do Vaticano na Turquia e chamou para consultas o próprio embaixador no Vaticano. Francisco levou na esportiva. Mas todos os jornais alemães escreveram sobre a polêmica, e muitos deputados pensaram: "Sim, genocídio. O papa tem razão!"

Mesmo assim, a posição oficial alemã, documentada em várias entrevistas coletivas de imprensa do governo, continuou usando palavras enroladas, que, embora descrevam tudo, devem evitar o termo "genocídio". Assim, foi uma coincidência agradável (na verdade, nenhuma coincidência) que poucos dias depois as igrejas na Alemanha – e, de fato, todas as igrejas – anunciaram um culto ecumênico em Berlim para a véspera do centésimo aniversário, véspera também do debate parlamentar, incluindo um curto discurso do presidente alemão.

Neste ano, Gauck, um ativista de direitos humanos na antiga Alemanha Oriental, tem escolhido muitas vezes palavras claras para expressar opiniões que diplomatas prefeririam manter nas entrelinhas. E o que aconteceria se, depois de o presidente ter usado o termo "genocídio" na noite desta quinta-feira, apenas 12 horas depois os partidos da coalizão de governo em Berlim evitassem empregar essa palavra?

Na Alemanha, poucos debates sobre a história do século 20 são tão desonestos quanto esse. Os verdes reclamam da pouco corajosa coalizão em Berlim, mas quando eles estavam no governo, em 2005, e o "superverde" Joschka Fischer comandava o Ministério do Exterior, os mesmos verdes não usaram nenhuma vez a palavra "genocídio" nas celebrações referentes a armênios, nem mesmo nas moções, mas somente de forma encoberta nas justificativas de tais propostas.

Aqui as lideranças da atual coalizão se mostram autoconfiantes diante do emprego desse conceito – mas ainda assim é preciso procurar para encontrar a palavra no texto da moção. Na terça-feira, um deputado democrata-cristão escreveu que, "a pedido da chancelaria federal e do Ministério do Exterior, a palavra genocídio foi retirada do título" da moção das bancadas dos partidos da coalizão de governo. "Contra isso está se formando resistência", afirmou o parlamentar, explicando que cada vez mais deputados querem "chamar o massacre do povo cristão mais antigo do mundo pelo seu nome". Essas linhas também dizem algo sobre a autoconfiança e sobre a compreensão do próprio papel das atuais bancadas dos partidos governistas.

Para especialistas, não há nenhuma relevância jurídica, nem civil nem criminal, na atual classificação de "genocídio". Somente a partir de 1947, o "genocídio" se tornou um conceito jurídico. Na ocasião, a Assembleia-Geral das Nações Unidas o empregou em relação aos horrores da era nazista. No caso atual dos armênios, trata-se de uma avaliação política e moral. E o conhecimento sobre o massacre e a sistemática perseguição do ano de 1915 obriga a isso.

O emprego do conceito de "genocídio" não se refere, de forma alguma, à atual Turquia. Essa impressão deve ser evitada pelos políticos alemães, e eles de fato fazem isso. O que importa é: a forma como a sociedade e os políticos turcos lidam com os acontecimentos de 1915 é também um sinal, de uma forma ou de outra. E dele não faz parte, certamente, opor um "talvez somente 200 mil" aos estimados "até 1,5 milhão de mortos".

A frase da tradição judaica "o segredo da redenção chama-se lembrança" também é válida aqui: lembrar-se, ver e levar a sério a dor do outro, assumir responsabilidade pelo futuro. Nos últimos meses, houve alguns indícios de que a Turquia moderna, este importante e orgulhoso país nas fronteiras da Europa, estaria disposta ao debate. Um presidente despótico e presunçoso não é um desses sinais.

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