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Mundo

Opinião: G7 não deve mais acolher a Rússia

Mesmo se mudar em relação à Ucrânia, Moscou não cabe mais no clube. Grupo deve se dedicar à coordenação das democracias liberais, opina Thorsten Benner, diretor do Instituto de Políticas Públicas Globais, em Berlim.

Nas vésperas da cúpula do G7 neste domingo (07/06), em Elmau, a ausência da Rússia se torna um tema explosivo.

"Um encontro do G7 mais a Rússia poderia contribuir para a resolução de crises", acredita Eckhard Cordes, presidente do Comitê para Relações Econômicas com o Leste Europeu, entidade ligada às associações empresariais alemãs.

Volker Perthes, do Instituto Alemão de Relações Internacionais e Segurança (SWP), tem opinião parecida. "Agora, temos uma situação que o G7 debate sobre o oitavo, em vez de termos oito grandes potências que conversam entre si sobre o mundo."

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o ministro do Exterior alemão, Frank-Walter Steinmeier, logo se apressaram em assegurar que um retorno ao G7 não é concebível, "enquanto a Rússia não reconhecer e não agir segundo os valores fundamentais do direito internacional".

Ao mesmo tempo, Steinmeier salientou que as portas continuam abertas: "Estou convencido de que iríamos melhorar as condições de trabalho internacional, se a Rússia retornar ao G8."

Mas essa crença é baseada numa ilusão. Um regresso ao G8 promove uma efetiva melhoria na resolução de problemas mundiais, na melhor das hipóteses, apenas de forma marginal. Isso converteria o G8 em um fórum para os problemas causados pela Rússia em sua vizinhança.

Mas o G8 não se destina a isso – há fóruns mais adequados, na OSCE, passando pelo Conselho de Segurança da ONU. E o G8 é um formato para ser usado somente para acariciar o ego russo de potência mundial.

Thorsten Benner

Thorsten Benner

Como uma extensão do G7, o G8 deve abordar questões globais, como a estabilidade financeira, a política de desenvolvimento, saúde e mudança climática. Mas o G8 também é muito pequeno para tratar tais questões. Hoje em dia, qualquer grupo que não inclua China e Índia, que juntos representam mais de um terço da população mundial, está fadado ao fracasso na solução eficaz de problemas.

Ao mesmo tempo, um retorno ao G8 prejudicaria a única finalidade principal que o G7 ainda pode cumprir, que é ajudar a coordenar e desenvolver estratégias políticas entre as democracias liberais. A chanceler Merkel definiu em poucas palavras o que faz com que o grupo seja o que ele é:

"O G7 inclui sete nações democráticas, unidas pelo seu compromisso com a liberdade e os direitos humanos", afirmou.

A Rússia não cabe nesse clube, mesmo que deixe de anexar territórios e de enviar tropas em guerras civis de países vizinhos. Com Moscou como o único membro não liberal na mesa, não seria mais possível ocorrer uma coordenação efetiva entre democracias. Isso seria uma grande perda.

Os tempos em que os países do G7 se imaginavam como o único governante do mundo já passaram. Considerando a concorrência na ordem global, com novas alianças como o Brics e a Organização para Cooperação de Xangai, uma coordenação entre as democracias liberais é algo ainda mais central. O objetivo não é construir uma frente aos moldes "Ocidente contra o resto do mundo".

Mas os valores liberais compartilhados pelos membros do G7 só continuarão a ter uma papel decisivo globalmente a longo prazo se as democracias agirem de forma concentrada e coordenada.

Mesmo sem a Rússia, o G7 fracassou, nesse ponto, nos últimos anos, como foi recentemente demonstrado pelo caso do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB). Aqui, os líderes dos países do G7 fracassaram em reagir justos e de forma coordenada diante da iniciativa de Pequim.

O resultado foi uma série embaraçosa de declarações unilaterais de adesão à instituição por parte de Reino Unido, Alemanha, França e Itália, enquanto Japão e EUA se mantiveram de fora, por enquanto.

Se os líderes do G7 investirem tanto em coerência política quanto o fazem em relação ao show da cúpula à la Elmau, isso poderia ter sido evitado, apesar dos diferentes interesses. Aqui deveria estar o foco do G7 nos próximos anos e não na discussão sobre se a Rússia poderá voltar, caso abra mão de seus piores excessos.

Mas o que o G7 deve fazer se a Rússia evoluir para uma democracia liberal, contrariando todas as probabilidades? Por mais que isso fosse motivo de comemoração, há pouca razão para um retorno ao G8. Quando se pensa num G7+ das democracias, não se deve fazê-lo no mundo de hoje sem Índia, Brasil, Indonésia e África do Sul. Um G8 exclusivamente com a Rússia é uma ideia de uma era passada, que deve ser definitivamente enterrada.

* Thorsten Benner é diretor do diretor do Instituto de Políticas Públicas Globais, em Berlim.

Global Public Policy Institute em Berlim.

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