Opinião: Fraudes eleitorais ameaçam democracia no Afeganistão | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 10.09.2009
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Mundo

Opinião: Fraudes eleitorais ameaçam democracia no Afeganistão

Três semanas após as eleições presidenciais, comissão eleitoral afegã registra dianteira insuperável para o atual chefe de Estado. Porém acumulam-se graves acusações de fraude eleitoral contra Karzai e seus adeptos.

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Quantas esperanças a comunidade internacional depositou em Hamid Karzai? Na qualidade de figura-chave do Processo de Petersberg, ele deveria levar paz, segurança e democracia a seu país.

À parte todas as restrições aos resultados eleitorais anunciados, uma coisa é certa: o Afeganistão não se tornou mais seguro, mais pacífico nem mais democrático. Justamente o protagonista do processo de democratização confronta-se com acusações sérias: seu partido seria supostamente responsável por fraudes numerosas, as quais ainda aguardam esclarecimento.

Com certeza, muitos afegãos não se espantaram com isso, pois, antes mesmo dessas revelações, Karzai e equipe já eram controversos: corrupção disseminada, proximidade com chefões das drogas, má administração – a lista de acusações é longa. Manipulação de urnas seria um complemento plausível.

Trata-se de uma impressão perigosa, pois não reforçará no país a confiança na democracia enquanto sistema social. Todos os que compareceram às urnas, apesar das insistentes ameaças dos talibãs, têm o direito de se sentirem traídos. Mesmo que a porcentagem de votos falsificados seja tão mínima que em nada altere a vantagem de Karzai, o próximo governo assumirá sob a sombra de uma pesada mácula.

Isso é ruim para os aliados do Afeganistão, como os Estados Unidos, o Reino Unido ou a Alemanha, os quais prefeririam fixar uma data para a retirada de suas tropas do Hindukush o mais breve possível. Para tal, um governo afegão estável, encabeçado por um presidente confiável, teria que assumir a responsabilidade pela segurança e pelo combate a eventuais revoltas.

Uma data de retirada é agora impensável. O Afeganistão permanece um barril de pólvora com poder explosivo incalculável e, portanto, de facto um protetorado da Otan. Não há dúvida que são lícitas as críticas a Karzai e a suas tropas eleitorais. Porém também os que financiaram e acompanharam o processo das eleições devem estar prontos a ser questionados. Não teria sido necessário garantir melhor o pleito contra possíveis manipulações?

O louvor da União Europeia, logo após o fechamento das urnas, a uma – em suas palavras – "eleição predominantemente positiva" foi, por exemplo, claramente precipitado, para usar uma expressão elegante.

Os talibãs saberão instrumentalizar em sua propaganda as contradições entre desejo e realidade que agora vieram à tona. E há mais alguém que deve estar esfregando as mãos de satisfação: Mahmud Ahmadinejad. O presidente do vizinho Irã certamente ainda apontará para o emprego de dois pesos e duas medidas no julgamento de acusações de fraude eleitoral.

Isso tudo altera de algum modo a estratégia geral para o Afeganistão? Não! Não há alternativa à democratização, à reconstrução e às medidas para assegurar a paz, caso não se queira expor a um futuro sombrio aqueles 50% dos afegãos que, corajosos, fizeram valer seu direito ao voto. Contudo, contrariando todas as expectativas, esse pleito presidencial não favoreceu esse processo, e sim o fez retroceder.

Autor: Sybille Golte
Revisão: Alexandre Schossler

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