Opinião: Fifa precisa de um presidente íntegro, que não se chame Blatter | Leia as principais notícias sobre o futebol internacional | DW | 02.06.2011
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Futebol

Opinião: Fifa precisa de um presidente íntegro, que não se chame Blatter

Apesar das acusações de corrupção na Fifa, Joseph Blatter foi reeleito para presidir a organização: um absurdo, opina o jornalista Stefan Nestler, da redação de esportes da Deutsche Welle.

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Imaginemos a seguinte situação: uma empresa é abalada por escândalos de corrupção durante vários anos, mas seu presidente permanece no posto. Impensável, mas não no caso da Fifa.

E a Fifa, afinal, é uma máquina de fazer dinheiro, que arrecada somas bilionárias, as distribui generosamente entre federações de futebol e guarda boa parte para si – ou seja, uma empresa, que, entre 2007 e 2010, graças principalmente à Copa na África do Sul, faturou o valor recorde de 3 bilhões de euros.

Desde 1998 o suíço Josef Blatter está à frente dessa empresa do ramo do futebol. Quem há 13 anos dirige uma federação talvez ainda possa alegar que não conhecia a corrupção nas próprias fileiras. Mas não pode empurrar para outras pessoas a responsabilidade sobre essas irregularidades.

O chefe carrega a responsabilidade. Tratando Blatter de forma generosa, pode-se dizer que os escândalos de corrupção dos últimos anos são uma prova de que ele não tinha a Fifa sob controle. Mas pode-se também especular que ele sabia dos abusos. Num caso ou no outro, o suíço de 75 anos não é mais tolerável no comando da federação.

Sem Blatter, a Fifa estaria sem comando e capacidade de agir, disse o presidente da Federação Alemã de Futebol, Theo Zwanziger, desde esta quarta-feira membro do Comitê Executivo da Fifa. Esta afirmação deveria ser motivo de reflexão tanto para Zwanziger como para seus colegas no órgão máximo da entidade. Não é possível que uma organização mundial seja tão dependente de seu presidente, que ela sucumba no momento em que essa pessoa deixa o cargo.

Onde estão os funcionários, pretensamente "limpos", que poderiam assumir essa herança? A impressão é que todos permanecem na retaguarda porque no passado tiraram algum proveito do "sistema Blatter", ou seja, abocanharam suculentos lucros.

A Fifa gosta de se apresentar como organização democrática. Na realidade, lembra no momento muito mais uma oligarquia. Tudo indica que o dinheiro decide sobre quem detém as rédeas do poder – e sobre quem pode ser sede de Copa do Mundo. Sob o ponto de vista econômico, a Fifa pode até extravasar saúde, mas, sob o aspecto moral, está muito doente.

Seria necessário sangue novo: um líder íntegro, que não se chame Blatter.

Autor: Stefan Nestler (rw)
Revisão: Alexandre Schossler

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