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Futebol

Opinião: Fifa deveria aumentar pressão sobre Catar

País árabe anunciou o fim do polêmico sistema que mantinha trabalhadores estrangeiros em situação análoga à escravidão. Blatter aplaudiu a decisão, mas reformas sociais precisam continuar, opina Andreas Sten-Ziemons.

Andreas Sten-Ziemons

Andreas Sten-Ziemons é redator de Esportes da DW

O anfitrião da Copa do Mundo de 2022 aparentemente é capaz de aprender. O Catar anunciou

abolir o sistema kafala

e a dele resultante dependência dos trabalhadores estrangeiros de seus respectivos empregadores. Joseph Blatter, controverso presidente da Fifa, reagiu prontamente e aplaudiu a decisão. Blatter e sua federação, que concedeu em dezembro de 2010 o direito de sediar o Mundial de 2022 ao Catar, foram alvos de duras críticas devido às condições desumanas dos trabalhadores estrangeiros e às inúmeras mortes nas obras. Blatter e a Fifa, então, começaram a pôr o governo do emirado sob pressão.

Agora Blatter fala de um passo significativo "na direção certa para uma mudança sustentável nas condições de vida dos trabalhadores no Catar". Ele se diz otimista com a implementação da reforma nos próximos meses. No entanto, com o simples anúncio de reformas nada ainda foi alcançado. O governo do Catar, de acordo com a divulgação oficial, quer substituir o sistema kafala por um sistema "com base em contratos de trabalho" – inclusive a retenção dos passaportes dos trabalhadores por parte do empregador deve ser alvo de punições –, mas até que ponto essas medidas realmente melhoram as condições de trabalho no país ainda é incerto.

O sistema kafala e a retenção dos passaportes são, na verdade, apenas uma parte dos problemas no nobre emirado do Golfo Pérsico. Os xeques adquirem a sua fortuna com os negócios envolvendo petróleo e gás, à custa daqueles que ali trabalham. No último ano, inúmeras queixas vieram à tona: extensas cargas horárias de trabalho sob o sol escaldante e temperaturas em torno dos 50 graus Celcius; sem água potável suficiente; sem acessórios e medidas de segurança; com alojamentos superlotados e em condições de higiene degradantes, com centenas de pessoas dividindo poucos e precários banheiros. Alguns dos estrangeiros chegam a trabalhar meses sem receber o devido salário. Mas será que isso vai mudar apenas porque os passaportes não estarão mais em posse dos empregadores?

Em todo caso, ainda é preciso provar o quão liberal será a concessão de vistos de saída do Catar no futuro. Até o momento, os trabalhadores estrangeiros precisavam da autorização do empregador para poder deixar o país. Agora, essa decisão deverá ser tomada pelo Ministério do Interior. Mas isso ainda não é uma garantia de que todo estrangeiro que queira deixar o país de fato consiga sair.

A Fifa não deve cometer o erro de se dar por satisfeita e registrar o simples anúncio do xeque como um sucesso. Em vez disso, seria apropriado aproveitar a ocasião para aumentar a pressão e exigir melhorias concretas e de caráter vinculativo para os trabalhadores estrangeiros.

Apenas quando os trabalhadores estrangeiros no Catar conseguirem condições decentes de trabalho, de salário e de vida, a Fifa poderá se recostar – algo que se gosta de fazer por lá – e proclamar que o futebol mais uma vez fez do planeta um lugar melhor.

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