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Mundo

Opinião: Expectativas do novo governo grego não são realistas

Tsipras prometeu a quadratura do círculo para os gregos: fim da austeridade e mais dinheiro da União Europeia. São desejos irrealizáveis, opina a jornalista Barbara Wesel.

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Barbara Wesel, jornalista da DW

O resultado das eleições na Grécia mal foi divulgado e o vencedor não perde tempo: já nesta terça-feira (27/01) Alexis Tsipras quer apresentar seu novo governo. E aí o caminho estará livre para as negociações com a odiada troica de doadores: o Banco Central Europeu (BCE), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Comissão Europeia.

A meta declarada do líder do partido Syriza é, simultaneamente, liberar a Grécia de seu fardo de dívidas, livrar-se das medidas de austeridade, chutar para fora do país os inspetores financeiros e exigir ainda mais dinheiro dos europeus. Este último tópico ele chama de "solidariedade". É um programa modelado pela certeza de que o descaramento compensa.

As conversas entre o novo homem em Atenas e os Estados da zona do euro deverão ser interessantes. E provavelmente vão se orientar pelas regras do jogo de pega-varetas: quem se mexer primeiro, perdeu. Assim, os ministros europeus das Finanças se mostraram tranquilos nesta segunda-feira, no espírito de "vamos primeiro aguardar a constituição do governo em Atenas e as reivindicações que vão nos apresentar".

Mas ambos os lados já começaram a marcar suas posições. O FMI já disse em alto e bom som que o pretendido corte de dívidas está fora de cogitação. O BCE vê a questão da mesma forma. E mensagens semelhantes partem tanto da Comissão Europeia quanto do maior bicho-papão dos gregos: o governo alemão.

E isso apesar de a dívida de 175% do Produto Interno Bruto (PIB) não ser nem de longe o principal problema da Grécia no momento, pois o país paga amortizações mínimas e, após uma série de concessões, os juros de 2,4% ao ano são inferiores até aos da Alemanha. Só que Atenas tem que continuar pagando ao FMI em Washington, que não tem se mostrado disposto a muitas concessões.

Tsipras prometeu muito aos gregos durante sua campanha eleitoral, sobretudo a quadratura do círculo: um programa social generoso (incluindo a retirada de medidas de corte de gastos), um perdão de dívidas e total autonomia nacional, além de novas injeções financeiras da União Europeia e ainda a manutenção do euro.

Mesmo descontando-se uma boa parcela de retórica eleitoreira, resta um emaranhado de desejos irrealizáveis. No momento, a UE ainda fala em trabalhar de forma construtiva com o novo governo grego, com base na experiência passada. Mas logo vai chegar a hora em que os ministros das Finanças do bloco precisarão lembrar ao colega em Atenas que a festa acabou: os gregos não vão ganhar um novo videogame, uma nova bicicleta o último modelo de celular, tudo ao mesmo tempo!

Acima de tudo, é melhor ninguém em Bruxelas se deixar enganar pela imagem de bom moço de Alexis Tsipras. Ele é um político de carreira, que nunca exerceu uma profissão e que exibiu uma inescrupulosidade sem limites na sua ascensão pelos quadros da esquerda. Ele é o tipo de político em que só pode confiar com os olhos bem abertos e todas as luzes acesas.

Confirmando esse ponto de vista, Tsipras formou um governo com a participação da extrema direita. Ele parece pouco se importar que os representantes do partido Gregos Independentes venham a acirrar os ânimos políticos na Europa com sua política anti-imigratória de caráter racista. Um governo como esse é explosivo, e não só por causa da sua política financeira.

Numerosos observadores avaliam que, em breve, o bom-senso econômico voltará a imperar em Atenas, e que a disposição ao consenso retornará. Mas isso não é algo com que se deva contar: há indícios de que Tsipras pode se revelar um jogador de pôquer bem empedernido, pronto a tranquilamente se aproveitar do bônus de confiança que detém.

Seria aconselhável os países da zona do euro discretamente se prepararem para um momento em que talvez seja mais sensato mostrar à Grécia a porta de saída do que continuar se envolvendo numa batalha de concessões atrás da outra.

Mas tudo isso ainda é para depois. Primeiro é preciso ver como Atenas lida com a necessária prorrogação do prazo para pagamento da última parcela da ajuda financeira, mais uma vez vinculada à avaliação dos progressos econômicos alcançados pelo país. O governo grego está à espera de 7 bilhões de euros do programa de apoio conjunto da União Europeia e do FMI e terá que assumir posições bem definidas. Depois disso, os europeus saberão em que estão se metendo.

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