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Mundo

Opinião: Está na hora de a UE se posicionar sobre seu futuro político

Perspectiva de abrir as fronteiras da UE a migrantes búlgaros e romenos atiça medos de penetração estrangeira – que os conservadores capitalizam. No entanto, problema é mais complexo, opina Alexander Andreev.

Deutsche Welle Bulgarische Redaktion Alexander Andreev

Alexander Andreev, redação búlgara da DW

"Os hunos estão chegando!" Atualmente esse grito de guerra não ecoa apenas na mídia britânica, mas também nas mesas de bar conservadoras da Alemanha e até mesmo – abrandado em nome do que é politicamente correto – nos documentos dos partidos União Social Cristã (CSU) e Alternativa para a Alemanha (AfD).

O que se presencia aí é a tentativa de – por interesses de política partidária ou europeia – reduzir um problema complexo a um único aspecto: o perigo de que o previsto fluxo de imigrantes da Bulgária e da Romênia venha a sobrecarregar os sistemas sociais.

Contudo, a realidade é muito mais complicada. Em primeiro lugar, trata-se de cidadãos de dois diferentes países da União Europeia. Em segundo, esse grupo não é homogêneo: alguns vêm movidos pelo sincero desejo de encontrar trabalho, outros, de fato, estão de olho no seguro-desemprego e no salário-família. E uma parte é da etnia nômade rom ("ciganos"): na Bulgária e na Romênia vivem milhões de roma, em sua maioria, extremamente pobres e maltratados pela população majoritária.

Em terceiro lugar, os imigrantes trazem qualificações diversas: entre eles há tanto médicos e engenheiros quanto semianalfabetos. E, por último, não existem prognósticos confiáveis, nem sobre o número desses imigrantes, nem sobre as previsíveis vantagens ou desvantagens para o mercado de trabalho e os sistemas sociais.

"Mercado de trabalho" e "sistemas sociais" são os dois conceitos-chave em torno dos quais gira toda a discussão: é preciso separar esses níveis. Pois a mobilidade da mão de obra de todos os cidadãos da UE é um direito fundamental da comunidade e, como tal, intocável.

Já os sistemas sociais são da competência do direito nacional, e aí há realmente várias possibilidades de estruturação. Isso significa que tanto o Reino Unido quanto a Alemanha e outros países da UE podem perfeitamente introduzir restrições, as quais, por sua vez, estão eventualmente sujeitas a exame pelas diferentes cortes constitucionais nacionais e pelo Tribunal de Justiça da União Europeia.

E mesmo assim, tais restrições constituiriam um sinal equivocado. Pois – exatamente como no debate sobre o salvamento, com verbas da UE, dos bancos europeus ameaçados de falência – o que está em jogo é nada menos do que o futuro do bloco. Solidariedade como valor fundamental da UE faz ainda mais parte da discussão sobre o tema migração do que no caso dos bancos, pois não se trata de institutos financeiros arruinados, e sim de milhões de cidadãos.

E precisamente pelo fato de o verdadeiro tema ser o futuro da UE, não se precisa de concessões duvidosas no nível nacional, e sim de um debate genuíno sobre a questão fundamental: nós precisamos de mais ou de menos Europa?

A esta altura, os partidários de "menos Europa" já se posicionaram com clareza. Tanto o governo britânico como diferentes partidos antieuropeus nos Estados-membros se preparam para as eleições parlamentares da UE em maio, atiçando nos cidadãos os medos da penetração estrangeira excessiva – que são especialmente fortes em tempos de crise. Também a CSU e a AfD alemãs apostam nessa estratégia – sendo que, para os partidos mais estabelecidos, trata-se também de não colocar a ala conservadora de direita da sociedade inteiramente nas mãos de calouros como a AfD.

Por isso, os defensores de "mais Europa" devem se posicionar de forma inequívoca, também com vista às eleições da UE. Com isso, é possível que percam votos, e os nacionalistas de todo o continente venham a ter mais força no futuro Parlamento Europeu.

Ainda assim, esta é uma boa oportunidade de colocar as cartas na mesa e finalmente dar início à tantas vezes adiada discussão sobre uma Europa federativa; uma Europa em que, entre outros aspectos, os sistemas sociais estarão abertos a todos. O local certo para tal discussão seria um Parlamento Europeu com mais poder e autoconfiança. E, no fim das contas, apesar da atual agitação, os imigrantes da Bulgária e da Romênia poderiam contribuir para a união na Europa.

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