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Mundo

Opinião: Erdogan optou pela guerra

Nenhum líder turco fez tanto pela reconciliação com os curdos como Erdogan. Mas, ao bombardear posições do PKK, ele põe em risco o atual processo interno de paz, afirma o correspondente Reinhard Baumgarten.

O radicalismo prevalece. O processo interno de paz da Turquia está por um fio. Todos aguardam uma declaração do chefe do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), Abdullah Öcalan. Ele está na cadeia da ilha de Imrali. Talvez ele até já tenha dito – ou gostaria de dizer – algo. Talvez as palavras dele não possam deixar a ilha prisional no Mar de Mármara.

Desde este domingo (26/07), Ancara e o PKK estão, de facto, de novo em guerra. Pela internet, o braço militar do PKK declarou encerrado o cessar-fogo de 2013. Uma declaração de Öcalan poderia reverter isso. Mas ele quer isso? Ancara quer isso?

E o que quer o presidente Recep Tayyip Erdogan? Ele tentou, mais do que qualquer chefe de governo ou Estado da Turquia antes dele, uma reconciliação com os curdos do país. Ele merece ser reconhecido por isso. Mas, com os ataques aéreos a posições do PKK, Erdogan adotou uma nova postura. Ele não mudou de posição de um dia para o outro, mas entendeu que a dinâmica na região mudou novamente – e não na direção por ele desejada.

Agora, Erdogan tenta uma correção com bombas e mísseis. Isso vale tanto para a milícia terrorista "Estado Islâmico" (EI) – que Ancara no mínimo tolerou, se é que não apoiou de forma ativa, ao longo de anos – como para o PKK. Os curdos da Síria enfrentaram os jihadistas do EI com apoio dos curdos da Turquia. Kobane e Tel Abyad são símbolos da resistência curda e também da desaprovação, por Ancara, desses sucessos dos curdos.

E há mais uma coisa que irrita profundamente Erdogan: a forte votação do partido curdo HDP, concomitantemente à perda da maioria absoluta pelo seu partido, o AKP, nas eleições parlamentares de 7 de junho. Até hoje, não há um novo governo na Turquia. Será que Erdogan e seu primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu, vão apostar em novas eleições, que podem resultar na saída do HDP do parlamento por causa de fervor patriótico e do medo fomentado de novos ataques terroristas? Isso não pode ser excluído.

Aí sim, o processo de paz estaria realmente encerrado, porque muitos curdos vão se sentir traídos nas suas esperanças políticas. E quanta estabilidade e crescimento econômico uma reconciliação com os curdos poderia trazer!

Mas Erdogan não é o único que pode ser repreendido. Elementos radicais dentro do PKK também colaboram, com seus assassinatos e ataques, para o acirramento da situação e o possível fracasso do tão desejado processo de paz. Se ao previsível terrorismo dos fanáticos do "Estado Islâmico" se unir o terrorismo do PKK, aí os tempos vão se tornar extremamente agitados na Turquia.

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