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Mundo

Opinião: Era Bush está encerrada

O Irã suspendeu seu programa de armas nucleares há quatro anos. Esta afirmação dos serviços secretos dos EUA contesta o relatório de 2005 e as afirmações de Bush de algumas semanas atrás, escreve Christina Bergmann.

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Há algumas semanas, o presidente norte-americano declarou que a terceira guerra mundial seria iminente, caso o Ocidente não se aliasse para impedir com todos os meios que o Irã prosseguisse seu programa de armas nucleares. E agora os próprios agentes secretos de George W. Bush afirmam que já há quatro anos Teerã não prossegue com seu programa nuclear para fins militares.

Fernschreiber Christina Bergmann

Isso permite uma série de conclusões. Primeiro: a era Bush e de seus falcões na Casa Branca está definitivamente encerrada. Em vista desta avaliação, os poucos correligionários que restaram ao presidente e que não abandonaram seu governo não conseguirão convencer ninguém sobre a necessidade, por exemplo, de um ataque militar.

E isso, apesar da insistência do presidente de que o Irã tenha sido e continuará sendo uma ameaça. A única arma de Bush é o direito de veto no Congresso, do qual ele vem fazendo uso com freqüência cada vez maior. Mas ele prejudica a si próprio, bloqueando um projeto de lei após o outro.

Segundo: uma nova resolução sobre o Irã e o agravamento das sanções internacionais contra o país tornaram-se mais remotos. O fato de Bush achar que o atual relatório dos serviços secretos lhe dará uma nova oportunidade de unir a comunidade internacional contra o Irã só pode ser interpretado como uma grave perda do senso de realidade.

Um presidente tão debilitado não é mais seguido por ninguém. A Rússia e a China se vêem confirmadas no seu ceticismo. E outras nações não precisam mais temer que Bush possa ordenar um ataque militar contra o Irã, causando uma catástrofe. Diminuiu assim a possibilidade de pressão internacional. Se isto é bom, fica em suspenso.

Terceiro: a confiabilidade dos relatórios dos serviços secretos norte-americanos pode continuar sendo questionada. Os espiões dos Estados Unidos já haviam fracassado uma vez, no caso das armas de destruição em massa não existentes no Iraque. Agora são feitos esforços para mostrar que se aprendeu com o passado.

Mas o êxito é duvidoso. Se já há quatro anos, em 2003, o Irã encerrou seu programa atômico para fins militares, por que isto não foi incluído no relatório de 2005?

Além disso, não foram disponibilizadas informações seguras. As conclusões foram tomadas a partir de interpretações. De fato, estas parecem ter um caráter muito mais defensivo. Por isso, o relatório elaborado por 16 serviços secretos diferentes não é nenhum documento glorioso.

Pode-se pensar que os agentes secretos não ficaram melhores, mas apenas mais cuidadosos. E que eles têm a sensação de que o tempo de Bush expirou.

Só que os serviços secretos devem fornecer informações, e não ficar bajulando os líderes políticos. George W. Bush gostava de se autodenominar um "decisor". Isto é passado. Mesmo que ele insista em permanecer em seu curso, entrementes outros são responsáveis pelas decisões. (rw)

Christina Bergmann é correspondente da Deutsche Welle em Washington.

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