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Mundo

Opinião: Envio de armas ao Iraque é em nome da civilização

Em princípio, a Alemanha está disposta a fornecer armas como auxílio no combate ao "Estado Islâmico". Berlim se despede, assim, de princípios que mantém há décadas. Por uma boa causa, na opinião de Dagmar Engel.

Kommentarfoto Dagmar Engel Hauptstadtstudio

Dagmar Engel, redatora-chefe da DW-TV

Diga-se desde já: fornecer armas aos curdos no Iraque não é uma solução, mas sim, a princípio, apenas uma decisão. Decisões formam o início de processos e levam, no melhor dos casos, à solução desejada.

Essa decisão acarreta riscos. A experiência ensina que, via de regra, armas entregues a uma parte em um conflito no fim vão parar nas mãos erradas. Os vários mortos no Afeganistão contam a história de armamentos que o Ocidente originalmente entregara aos mujahedins para a luta contra o Exército soviético.

As armas que o bando assassino do "Estado Islâmico" (EI) emprega, foram, em parte, tomadas do Exército iraquiano: veículos HMMWV e obuses originalmente entregues pelos Estados Unidos a Bagdá com o fim de conter os extremistas muçulmanos.

Não é de se excluir a possibilidade de que o mesmo cenário se repita, dessa vez com armas antiblindados fornecidas pelas Forças Armadas alemãs. Tampouco se pode excluir que combatentes peshmerga venham a utilizá-las para lutar por seu próprio Estado curdo, uma meta que o governo alemão rejeita.

Reino Unido, França e Itália acederam quanto a uma entrega de armas para o norte do Iraque. Se a Alemanha realmente se entende como parte da União Europeia, faz mesmo diferença se o míssil antitanque tomado como butim, juntamente com o equipamento de lançamento, veio da Royal Army ou da Bundeswehr?

Pode a Alemanha dizer, "façam vocês o trabalho armamentista sujo e nós cuidamos da nobre assistência humanitária? Não pode. A UE só é uma verdadeira potência se permanecer coesa, não se deixando cindir. Na última sexta-feira, os ministros europeus do Exterior já haviam fundamentalmente concordado com o fornecimento de armamentos.

A resolução de princípio vale para Berlim. O Parlamento alemão é informado através das comissões competentes, mas não participa da decisão. Enquanto não se trate do envio de soldados, isso presumivelmente não é necessário, embora pouco usual na tradição democrática da República Federal da Alemanha.

Caso a decisão necessite de um apoio amplo, seria bom o próprio governo federal lançar o debate no Bundestag (câmara baixa do parlamento). Nos últimos dias, o governo alemão enfatizou repetidamente não ser este o momento para discussões de princípios, mas sim para ações imediatamente necessárias.

A decisão isolada vale para o presente conflito – até o próximo conflito brutal. Aí o caso isolado pode rapidamente se transformar num precedente. Da Ucrânia também partem apelos de apoio militar.

Entretanto a situação no norte do Iraque é diferente. Com os carniceiros do EI não há possibilidade de negociar. Não existe qualquer indício de que, na cabeça desse bando de assassinos pré-civilizados, haja sequer a mínima noção de um debate político. E esse bando está a caminho de submeter o Oriente Médio a seu domínio, com consequências imprevisíveis para muito além da região.

Como foi dito: o fornecimento de armas não é uma solução, mas uma decisão. Neste caso, a decisão de não se omitir, mas sim de se engajar. Por um mundo civilizado.