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Mundo

Opinião: Em vez de agir, Kremlin prefere criticar

Putin precisou de mais de 24 horas para reagir a aviso de britânicos sobre possível bomba a bordo de avião que caiu no Egito. Tempo demais, opina o correspondente da DW Yuri Rescheto.

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Yuri Rescheto é correspondente da DW em Moscou

Quando se tenta por um longo período destruir o pensamento político num país, em determinado momento, todos os pensamentos acabam se tornando políticos por conta própria. Faz uma semana que um avião russo da companhia aérea Kogalymavia caiu tragicamente sobre o deserto do Sinai. No entanto, as autoridades em Moscou ainda não estão dispostas a descobrir um indício que possa levar à causa do acidente. Elas preferem se revoltar, enquanto os serviços de inteligência ocidentais dizem: nós já temos uma pista.

Nenhuma teoria é privilegiada, tudo é possível, só se deve acreditar no resultado da investigação oficial, esta é a reação das autoridades em Moscou. Esperar em vez de se irritar. Querendo ganhar tempo, a tática dilatória do Kremlin é: os outros já estão resolvendo. E então? Moscou perde todo um dia para seguir o exemplo britânico: cancelar todos os voos sobre o Sinai e repatriar os seus cidadãos retidos no Egito. Por que não de imediato? A resposta é simples: porque é isso que faz o Ocidente. E ele é mau.

Bem mais rápida foi a reação do Ministério do Exterior russo frente à teoria da bomba levantada pelos britânicos: é um choque o fato de o Ocidente esconder dos russos informações valiosas de inteligência. A insensatez de tudo isso foi que, meia hora depois, o Ocidente agiu de forma bem diferente: o primeiro-ministro britânico Cameron ligou pessoalmente para o presidente russo, Vladimir Putin.

Quase em uníssono, ecoou na mídia russa: o Ocidente quer desacreditar a política de Moscou para a Síria, quer falar mal das bombas russas contra o "Estado Islâmico" (EI) e, por esse motivo, espalha a tese: o EI se vinga dos russos com esse atentado. A decisão racional dos britânicos de garantir a segurança de seus cidadãos, mesmo que as férias de um ou de outro acabem mais cedo, foi interpretada na Rússia como um gesto político contra Moscou. Para o presidente do Comitê Internacional do Conselho da Federação Russa, Konstantin Kozatchev, o fato implica "um determinado componente de pressão psicológica."

Como? Os britânicos gastam um monte de dinheiro, querem repatriar 10 mil cidadãos para criticar a política de Putin – mesmo que seja somente com um "determinado componente"?

Sim, está absolutamente certo não correr atrás das conclusões precipitadas de autoproclamados especialistas e espalhar pelo mundo todo tipo de teoria possível e impossível. Ninguém se opõe que se mantenha a cabeça fria, a mente clara. Mas por que o presidente russo precisa de dias para transmitir publicamente suas condolências pessoais aos familiares das vítimas? Por que os diplomatas russos preferem agredir o Ocidente, que quer somente compartilhar seus conhecimentos com o mundo, em vez de utilizá-los para uma investigação própria? Por que sempre "o Ocidente quer o mal para nós" e, de alguma forma, é sempre culpado?

As praias do Sinai já foram a região de língua russa mais apolítica do mundo. Isso pode agora pertencer ao passado, caso a teoria da bomba se concretize. Então, as autoridades russas e a mídia fiel ao Kremlin vão ficar sem graça com seu ódio ao Ocidente. Ou vão apresentar ao mundo, no entanto, sua própria versão.

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