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Mundo

Opinião: Efeito dominó prepara caminho para a "Nova Rússia"

Os chamados "referendos" no leste da Ucrânia são manobra populista que visa uma reação em cadeia, opina o chefe da redação ucraniana da DW, Bernd Johann.

Deutsche Welle REGIONEN Osteuropa Ukrainisch Bernd Johann

Bernd Johann é chefe da redação ucraniana da DW

Se depender das forças separatistas pró-russas no leste da Ucrânia, novas fornteiras serão demarcadas na Europa depois da anexação da Crimeia. Dois novos Estados serão formados nas regiões de Donetsk e Lugansk. Eles deverão ser "repúblicas populares" independentes. Na prática, porém, vão se orientar pela Rússia. Pois dependem do apoio do Kremlin – tanto politica quanto economicamente.

Com os assim chamados "referendos", pretende-se levar a cabo a separação da Ucrânia, apesar de todas as críticas internacionais. A votação fere a Constituição ucraniana. Os organizadores foram e são separatistas militantes, que invadiram prédios administrativos e delegacias de polícia. Eles não foram eleitos por ninguém, mas tomaram o poder à força. Os chamados "referendos" não têm, portanto, credibilidade nem base democrática.

Observadores independentes não puderam acompanhar o andamento das votações nem controlar a apuração dos resultados. Como não havia lista oficial de eleitores, um controle nem mesmo teria sido possível. Ninguém sabe exatamente quantas pessoas de fato votaram. Cédulas eleitorais podem ter sido falsificadas. A mesma pessoa pode ter depositado várias células nas urnas. Possivelmente, muitos cidadãos do Leste ucraniano ficaram em casa por medo. Por tudo isso, a comunidade internacional não pode nem vai reconhecer esse pseudorreferendo.

Mas isso não vai conter os separatistas. Eles não esperam aceitação internacional para as suas ações. Os seus "referendos" foram, sobretudo, manobras populistas. Eles procuraram imitar a democracia com o intuito de aludir a uma suposta "vontade popular". E, com isso, pretendem provocar uma reação em cadeia. Pois esperam que, agora, tais pseudorreferendos possam ser realizados também em outras regiões do leste e do sul da Ucrânia.

A estratégia lembra a Teoria do Dominó, doutrina política da época da Guerra Fria. Ela postulava que ideologia e propaganda garantiriam que, um após o outro, Estados vizinhos caíssem como as peças de um dominó, voltando-se para o lado de Moscou. Um cenário semelhante ameaça agora algumas regiões da Ucrânia.

Os separatistas querem a criação de outras "repúblicas populares", a exemplo de Donetsk e Lugansk. Essas peças de dominó poderiam, futuramente, juntar-se num Estado comum sob o nome de "Nova Rússia" ("Novorossiya"). Já se fala sobre isso em Donetsk, Lugansk e, principalmente, em Moscou.

Pois até o presidente russo, Vladimir Putin, usa o termo "Nova Rússia". Trata-se de uma região que engoba o leste da Ucrânia, passando pela Crimeia e Odessa, até a República da Moldávia e a Romênia, chegando, assim, até a fronteira da União Europeia.

A Crimeia já foi anexada pela Rússia. Donetsk e Lugansk poderão seguir tal caminho, mesmo que Moscou negue, atualmente, tal intenção. Mas, para o Kremlin, essas regiões são peças de dominó em direção à "Nova Rússia".

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