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Mundo

Opinião: Ecos de Donbass nas ruas de Moscou

O opositor russo Boris Nemtsov foi assassinado em Moscou. O receio agora é que essa morte, assim como tantas outras com motivações políticas, não seja investigada, opina Ingo Mannteufel, chefe da redação Europa da DW.

O assassinato do político liberal russo Boris Nemtsov a céu aberto em Moscou tem indicações claras de que se trata de um atentado. Todos os indícios até o momento apontam para isso. O fato: Nemtsov levou quatro tiros nas costas. O momento: um protesto marcado para a manhã deste domingo (01/03) em Marino, nos arredores de Moscou, sob o tema "Primavera" e contra a política russa com relação à Ucrânia. A vítima: Boris Nemtsov, que há anos era uma das principais lideranças opositoras a Putin e ajudou ativamente a organizar o protesto de domingo.

Especulações e teorias da conspiração

Seguramente ainda é muito cedo e muito especulativo indicar as consequências políticas deste atentado. Importante agora é realizar uma investigação intensa e conhecer as motivações do crime, embora diante da atual realidade russa isso seja algo difícil de se imaginar.

Como há anos na Rússia a troca de informações objetivas e baseadas em fatos nos meios políticos e também na imprensa é cada vez menos cultivada, é de se esperar que, em breve, todos os tipos de conjecturas e teorias da conspiração sobre a morte de Nemtsov deverão ser veiculadas: teorias de que se trata de um atentado por conta de algum interesse empresarial de Nemtsov.

Ou assassinato, porque Nemtsov criticou ferrenhamente, durante anos, tanto o Kremlin quanto o presidente Vladimir Putin. Ou o resultado de uma contenda violenta dentro da oposição russa; ou ainda uma ação de nacionalistas russos, autores de um atentado em 2009 contra o advogado de direitos humanos Stanislav Markelov e a jornalista Anastassia Baburova.

Há o receio de que também este assassinato, assim como tantas outras ações de motivação política, não seja completamente esclarecido.

Com um protesto planejado para domingo contra a política do Kremlin para a Ucrânia, faz sentido que as motivações do atentado também entrem neste contexto. Conforme colegas de oposição de Nemstov agora relatam, o ex-vice-primeiro-ministro queria publicar fatos e documentos sobre a participação russa no conflito ucraniano e sobre a presença de tropas russas em Donbass.

Extremistas de direita russos, ligados ao movimento "Nova Rússia" em Donbass, já celebram nas redes sociais a morte de Boris Nemtsov.

Atentado fortalece erros políticos em Moscou

Certo é que o brutal assassinato de um líder da oposição russa deverá esquentar ainda mais o clima político no país. O ódio a dissidentes e críticos da gestão russa, semeados pela mídia e pelos políticos, alcançou níveis intoleráveis há anos.

Retratos de Nemtsov e de outros críticos russos a Putin estamparam, durante anos, alvos em acampamentos de jovens organizados pelo Kremlin. Por isso, o presidente Putin e o Kremlin são culpados por essa atmosfera política envenenada.

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