Opinião: Discurso de Obama ao mundo islâmico tem que ser seguido de ações | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 05.06.2009
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Mundo

Opinião: Discurso de Obama ao mundo islâmico tem que ser seguido de ações

O presidente norte-americano, Barack Obama, falou aos muçulmanos no Cairo. O discurso abre um novo capítulo na política externa de Washington, opina Rainer Sollich, editor da redação árabe da Deutsche Welle.

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Barack Obama não acertou no tom apenas do ponto de vista emocional. Seu discurso foi também inequívoco em termos de conteúdo – uma oferta confiável de diálogo e parceria com o mundo islâmico. Obama apelou aos valores e à responsabilidade comuns entre os EUA e o mundo islâmico. Ao contrário da retórica de confronto de seu antecessor George W. Bush, Obama ressaltou o reconhecimento dos méritos dos muçulmanos em todo o mundo, inclusive nos EUA.

Este presidente está, de forma evidente, procurando um reinício. E isso não apenas com a ajuda de citações do Alcorão, empregadas na hora certa, ou de elogios ao islã. Sua mensagem de respeito ao 1,5 bilhão de muçulmanos em todo o mundo é clara.

Ele está seriamente disposto a levar em consideração as preocupações e os pontos de vista dos muçulmanos, mantendo ao mesmo tempo um olhar crítico sobre seu próprio país, os EUA. Mas Obama deixa também claro o que quer e o que espera, na condição de presidente norte-americano, dos seus parceiros de diálogo.

Ele conclama Israel a aceitar a fundação de um Estado palestino, bem como o fim da política de assentamentos. E formula tudo isso com uma clareza que seria impensável sob o governo Bush. Mas Obama deixa também inequivocamente claro o que espera dos palestinos e mais concretamente do Hamas: um reconhecimento undubitável do direito de existência de Israel e uma renúncia de todas as tentativas de solucionar o conflito com emprego de violência.

E ele não deixa dúvidas de que as relações dos EUA com Israel, apesar de todas as críticas, permanecerão estreitas. Além disso, Obama salientou também ver na iniciativa árabe pela paz uma boa base para as negociações, o que não significa, no entanto, que os resultados futuros saiam necessariamente dali. Essas limitações, que certamente não agradaram a muitos ouvintes do pronunciamento, são, contudo, sinceras. E tamanha sinceridade, em relação aos dois lados, é algo que há muito não se via num presidente norte-americano.

Esperava-se de Obama, no entanto, palavras mais contundentes em relação aos direitos humanos em vários países islâmicos, aos interesses estratégicos e econômicos dos EUA no mundo islâmico, bem como à forma de coexistência entre os ideias norte-americanos de liberdade e a cooperação do governo do país com regimes autoritários.

Em outros muitos pontos, porém, ele foi satisfatoriamente compreensível. Suas mensagens foram claras: primeiro, a democracia não é nenhum artigo norte-americano de exportação, mas sim um direito fundamental de toda a humanidade. Segundo, os norte-americanos estão dispostos a aprender com os erros de sua política externa, mas continuarão a combater o terrorismo e procuram, neste sentido, uma ação conjunta.

São palavras que servem de ponte entre os EUA e o mundo islâmico, às quais devem se seguir agora ações, não apenas do lado americano.

Autor: Rainer Sollich

Revisão: Roselaine Wandscheer

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