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Mundo

Opinião: Discurso de Netanyahu no Congresso dos EUA foi contraproducente

Premiê israelense perdeu oportunidade de propor alternativa para acordo sobre programa nuclear iraniano. Em vez disso, ele fez de Israel uma questão partidária, opina o jornalista da DW Michael Knigge.

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Michael Knigge, jornalista da DW

Com seu discurso diante do Congresso dos EUA, Benjamin Netanyahu tinha sobretudo um objetivo, que era advertir os parlamentares americanos sobre os riscos de um potencial "mau negócio" que a administração Obama e as outras cinco potências internacionais possam vir a fechar com o Irã sobre o programa nuclear do país.

Foi um objetivo louvável, com apenas um problema. Se há uma instituição fora de Israel que não deixará que o presidente Obama se comprometa com um mau acordo em relação ao programa nuclear do Irã, essa é o novo Congresso em Washington, controlado pelos republicanos. Isso ficou evidente logo no início, através dos aplausos estridentes para o primeiro-ministro israelense, assim que ele entrou na Câmara dos Representantes.

Mas o apoio a Israel, a seus interesses e a sua frágil situação de segurança tem sido tradicionalmente muito forte em ambos os dois maiores partidos dos EUA – muito antes de Netanyahu se tornar primeiro-ministro. Quando se trata de Israel, continua a existir – coisa rara atualmente em Washington – um amplo consenso político, que vai além das linhas partidárias.

Assim, mesmo antes de Netanyahu e do líder republicano John Boehner irritarem Barack Obama, fazendo o primeiro-ministro discursar diante do Congresso sem uma consulta prévia ao presidente, muitos legisladores republicanos e democratas deixaram claro que iriam se opor a um acordo com o Irã que não levasse em consideração as preocupações legítimas de segurança de Israel. Netanyahu, que é profundamente familiarizado com a política dos Estados Unidos, certamente sabe disso.

Por exemplo, há anos o senador republicano John McCain critica a política de Obama para o Irã. Em janeiro, ele classificou a esperança de um possível acordo com Teerã de um delírio. Nesta semana, o senador democrata Chuck Schumer disse que não confia nos iranianos.

Obama pode ser criticado com razão, mas ele é um realista político, e como tal, é consciente do fato de que qualquer acordo potencial que não considere adequadamente as preocupações de Israel é algo fadado a não ser aceito nos EUA.

É por isso que o discurso de Netanyahu sobre o perigo de um mau negócio e suas advertências sobre o regime iraniano foi como pregar para convertidos. Mas foi mais do que isso. Apesar alguns elogios obrigatórios para o que o presidente Obama já fez por Israel, ele foi um tapa na cara político: não apenas para Barack Obama em sua própria casa, mas também para os parlamentares dos Estados Unidos.

Para Obama, ter o chefe de Estado estrangeiro com quem ele mais se encontrou aparecendo diante do Congresso para tentar sabotar os esforços do presidente para alcançar o que pode ser um acordo importante sobre o programa nuclear do Irã é um descaramento e algo sem precedentes. Fazê-lo 13 dias antes de uma acirrada corrida pela reeleição em Israel é a maior afronta possível e contraria a etiqueta política.

Mas o discurso de Netanyahu também é um sinal de desconfiança em relação aos parlamentares americanos. O premiê israelense aparentemente pensa que é necessário lembrar o Congresso de impedir o presidente de entrar em um acordo que pode pôr em risco Israel. Como ele chega a essa avaliação quando esse mesmo Congresso já forneceu mais de 120 bilhões de dólares em ajuda a Israel desde 1949, é difícil de entender.

Por todas estas razões, o discurso de Netanyahu foi contraproducente. Como esperado, ele não produziu quaisquer argumentos acerca do programa nuclear do Irã que não já tenha sido ouvido dele ou de outros antes.

Embora, em última análise, um acordo final ou seus detalhes não sejam conhecidos nem garantidos, Netanyahu declarou repetidamente que os EUA podem conseguir um melhor acordo com o Irã. Infelizmente, ele perdeu uma oportunidade de ouro para expor novas ideias ou esboçar um caminho sobre a forma como um tal "melhor" acordo pode ser alcançado na prática. Isso teria, realmente, levado a discussão adiante. Em vez disso, Netanyahu simplesmente reiterou sua oposição bem conhecida a um mau negócio, pediu ao Congresso para ser duro com Teerã e disse que o acordo previsto abrirá para o Irã o caminho para a bomba.

No final, as declarações de Netanyahu minaram o que ele mesmo havia proclamado logo no início do discurso, ou seja, que Israel deve permanecer acima da política. O fato de o presidente Obama, o vice-presidente Joe Biden e 57 parlamentares democratas terem optado por não assistir ao discurso de Netanyahu é um sinal de que, pelo menos por enquanto, Israel se tornou uma questão partidária. E isso, definitivamente, não pode ser do interesse de Israel.

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