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Mundo

Opinião: Destruição de patrimônio sentencia EI ao fracasso

Indignação gerada no mundo é tida pelos extremistas como vitória. Mas, a longo prazo, eles não terão sucesso: porque não deixam para trás nada que tenham criado, opina Anne Allmeling, correspondente da DW no Cairo.

O padrão parece ser sempre o mesmo: os seguidores do autoproclamado "Estado islâmico" invadem um local histórico, aterrorizam seus habitantes, obrigam dezenas de milhares de pessoas a fugir. Em seguida, eles almejam a herança cultural: estátuas, sítios arqueológicos, construções milenares – os terroristas destroem e pilham com tamanha ira que indigna não apenas os amantes da Antiguidade.

O motivo dos extremistas é claro: nada deve restar de uma cultura que remonta aos tempos pré-islâmicos, numa era em que as pessoas na Mesopotâmia não oravam para um só deus, mas para muitos. Ou, como os extremistas acreditam, para o deus errado. Nada daquilo que existia antes de Maomé é tido pelos terroristas como sagrado. Qualquer coisa contrária à sua interpretação estrita do islã deve ser, na opinião deles, destruída.

A destruição sistemática de bens culturais é algo recorrente através da história. A novidade é que agora o mundo inteiro é testemunha. Os combatentes do EI documentam em vídeos como eles agem e o que causam. Qualquer um pode ver na internet como eles explodiram a iraquiana Nimrud – uma cidade que data do século 13 a.C. Ou como eles deixaram em pedaços estátuas no museu de Mossul, originárias dos tempos assírios.

A ideia dos extremistas é que, a cada estátua, a cada pedra que os autoproclamados guerreiros da fé pulverizam na Síria e no Iraque, eles também destroem uma parte da identidade nacional. É exatamente isso que eles quererm. Em vez de Estados nacionais, eles desejam um califado; no lugar da lei secular, a sharia; em vez de diversidade cultural, uma única ideologia. Megalomania no lugar da criatividade.

Onde quer que os extremistas atuem, eles deixam para trás terra arrasada. Isso leva embora os meios de subsistência das pessoas no Iraque e na Síria – e também o pouco de liberdade que elas talvez tivessem. Novas ideias, inovações, tudo isso é rejeitado pelos extremistas. Só quando se trata de terror e destruição, todos os meios são aceitáveis. Mas eles também usam os meios de modernidade, dos quais nem mesmo o EI consegue abrir mão.

O horror, a indignação e a impotência que sua barbárie desencadeia, não só no Ocidente, são considerados pelos terroristas uma vitória – destinada também a desviar a atenção para o fato de que eles têm sofrido derrotas em outras frentes.

Esta é, talvez, a única boa notícia tirada da destruição dos extremistas: a longo prazo, o "Estado Islâmico" não terá sucesso. Porque não deixa para trás nada que ele mesmo tenha criado.

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