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Mundo

Opinião: Depois da festa, gregos voltam à realidade

Empolgação com a vitória eleitoral da esquerda na Grécia chegou ao fim, e Tsipras e seus ministros começam a perceber a verdadeira situação das finanças em Atenas. Para o jornalista Bernd Riegert, país precisa de ajuda.

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Bernd Riegert

Uma coisa é preciso reconhecer em relação ao novo governo na Grécia. Ele é capaz de aprender e, na verdade, bem rapidamente. Há apenas uma semana, os vencedores da eleição escolhiam o seu homem forte e batiam de frente com os parceiros na Europa. Fizeram exigências exageradas sobre um corte da dívida, supressão dos controles orçamentários por parte da troica e independência para os supostamente oprimidos gregos.

Mas, agora, depois que o chefe de governo, o esquerdista Alexis Tsipras, e seu ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, se debruçaram sobre os livros de contabilidade, eles tomaram conhecimento dos números reais da economia e, sobretudo, realizaram as primeiras conversas com seus credores em Roma, Paris, Londres, Bruxelas e Frankfurt. Eles estão chegando finalmente mais perto da realidade. Agora se pode e se deve conversar. É possível se chegar a um acordo, no interesse da Grécia e de toda a zona do euro.

Tsipras mencionou algo como acordos em interesse de ambas as partes. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, encara de forma positiva o primeiro encontro, na próxima semana durante a cúpula da União Europeia, com o premiê que está aterrorizando a zona do euro. Antes rabugento, o ministro grego das Finanças passou a apoiar até mesmo um "Plano Merkel" para a reconstrução de seu país. Uma reviravolta surpreendente.

A situação parece ter melhorado. Agora é preciso apresentar fatos e propostas concretas sobre a mesa. O próprio Varoufakis admite que um corte da dívida está fora de cogitação. Isso não é prioridade no momento, porque as dívidas a juros baixos têm um prazo médio de 32 anos.

Uma reestruturação da dívida poderia trazer alívio a longo prazo. Para tal, a Grécia deveria quitar prematuramente o empréstimo relativamente caro que fez junto ao Fundo Monetário Internacional. Os gregos poderiam fazer isso com uma eventual nova, sob melhores condições, dos pacotes de resgate europeus.

Isso significaria, no entanto, um terceiro programa de ajuda financeira, o que até agora o novo governo vem rejeitando. A ideia bizarra do ministro grego das Finanças de trocar as dívidas da Grécia por uma espécie de empréstimos perpétuos sem data de resgate é legalmente impossível e demasiadamente arriscada para os credores. A Grécia poderia resgatar essas antigas dívidas, mas novamente com um crédito favorável do pacote de resgate financeiro.

A curto prazo, o Banco Central Europeu (BCE) mantém, com empréstimos emergenciais, a liquidez dos bancos gregos e, dessa forma, do Estado da Grécia, a quem os bancos pertencem em grande parte. No entanto, o BCE só vai continuar a abrir suas torneiras se a Grécia se mantiver subordinada a um programa de resgate financeiro.

Pode-se virar e revirar o quanto quiser: o novo governo grego precisa das instituições europeias e internacionais, caso contrário, estaria inadimplente dentro de poucas semanas ou, no máximo, em alguns meses. Alexis Tsipras e sua equipe tomaram consciência disso.

Para a Grécia, é muito fácil anunciar que o próprio país pretende efetuar reformas e tornar o sistema fiscal mais eficiente e justo. Agora, é necessário que isso conduza a ação. O tempo é curto. Até o dia 28 de fevereiro, é preciso que os gregos apresentem um pré-plano de recuperação confiável. Caso contrário, o BCE poderia fechar suas torneiras para os gregos antes que Varoufakis possa notar.

Antes da vitória do Syriza, a Grécia já registrava grande fuga de capital. Embora os gregos tenham optado por uma reviravolta radical, por razões de segurança, eles fecharam as suas contas bancárias. Passados somente dez dias das eleições, para manter a liquidez, dois bancos gregos já tiveram de recorrer à ajuda emergencial do BCE. Isso deveria servir como um aviso sério para Atenas.

O Eurogrupo também terá que se mover para evitar uma falência da Grécia. O seu espaço de manobra não é muito grande, não por quererem irritar os gregos, mas porque eventuais concessões poderiam levar Portugal, Irlanda ou Chipre, que também estão no programa de resgate financeiro, a pedir melhores condições.

A questão que interessa agora é como Tsipras vai explicar aos eleitores gregos o retorno a uma política mais realista. As expectativas dos gregos são enormes. É preciso apresentar êxitos, embora a estranha coalizão de governo entre o radical de esquerda Syriza e o partido radical de direita Gregos Independentes já mostra as primeiras rachaduras.

Os direitistas não querem votar a favor de uma lei de cidadania proposta pela esquerda. Se Tsipras não conseguir conceder ao menos parte dos benefícios sociais anunciados, rapidamente a sua equipe de governo vai enfrentar sérias dificuldades.

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