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Mundo

Opinião: Davos não é somente encontro de ricos e poderosos

Mais uma vez, o Fórum Econômico Mundial chega ao fim em Davos sem que o mundo tivesse ficado melhor. Para o articulista de economia da DW Andreas Becker, isso não compromete, no entanto, a importância do Fórum.

Andreas Becker Wirtschaftsredaktion

Andreas Becker é articulista de economia da Deutsche Welle

Nas palavras dos próprios organizadores do Fórum Econômico Mundial, que chegou ao fim neste sábado (24/01) na cidade suíça de Davos, a sua reivindicação seria melhorar a situação do mundo. Combinando com o encorpado slogan está o fato de os participantes de diversos eventos assegurarem frequentemente, uns aos outros, que são líderes – líderes econômicos, líderes de opinião, líderes políticos – definitivamente notáveis e importantes.

Já antes do início do Fórum Econômico Mundial (FEM), diversos meios de comunicação noticiaram que 1.700 jatos particulares estariam a caminho de Davos, onde as mudanças climáticas deveriam ser um dos principais temas de discussão. Posteriormente, constatou-se que para lá voaram "somente" 200 jatinhos...

A notícia foi compartilhada muitas vezes nas redes sociais. Aparentemente, ela corresponde à imagem que muitos têm do Fórum: um encontro de ricos e poderosos que, ao sabor da alta gastronomia e de finas bebidas, conversam sobre os problemas do mundo e, além disso, ainda fazem negócios.

E isso também é verdade. O que é dito em Davos também é falado pelas mesmas pessoas em outros lugares. Ali não é fechado nenhum acordo internacional, e não é nenhum segredo que por atrás dos bastidores sejam feitas transações comerciais.

Mas o oposto também é verdadeiro. Durante o FEM, Davos é um lugar onde importantes personalidades divulgam projetos que realmente têm como objetivo tornar o mundo um pouco melhor.

Investidores se encontram com monges, políticos com ativistas de ONGs, fundadores de startups com pesquisadores. O Fórum é um parque de diversões de ideias e pontos de vista, e é pequeno o suficiente para proporcionar encontros inesperados.

Embora não haja garantia de que algo novo surja a partir desses encontros, o Fórum permite ao menos tal possibilidade. Um exemplo é a Aliança Gavi, cuja meta é facilitar o acesso à vacinação em todo o mundo. Sua ideia nasceu em Davos e, desde a sua criação no ano 2000, Gavi já financiou vacinas contra doenças potencialmente fatais para 440 milhões de crianças de países em desenvolvimento.

Não importa a opinião que se tenha sobre Davos – o Fórum Econômico Mundial é um espaço para o intercâmbio de ideias. E isso nunca é demais.

Andreas Becker, de Davos (ca)

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