Opinião: Crise tcheca ameaça espírito de coletividade da UE | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 26.03.2009
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Mundo

Opinião: Crise tcheca ameaça espírito de coletividade da UE

Para especialistas, crise no governo tcheco não poderia ser mais imprópria. Não só por causa da cúpula do G20, mas também porque ameaça Tratado de Lisboa. Christoph Hasselbach opina.

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Diante do Parlamento Europeu, o primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek, tentou minimizar as consequências da crise de governo em seu país sobre a União Europeia (UE). Ele disse que a moção de censura não influirá na presidência tcheca da UE: ela prosseguirá trabalhando como até agora.

De fato, Topolanek pode continuar exercendo a posição, até que seja nomeado um novo governo. Ele poderia também lembrar que esta não é a primeira vez que um governo cai enquanto o país está na presidência do Conselho Europeu. Isso já aconteceu duas vezes na década de 1990, sem trazer maiores problemas à UE.

Só que o caso de agora é especial por acontecer numa época especial. A União Europeia enfrenta a pior crise econômica de sua história e precisa urgentemente do Tratado de Lisboa. Além da Irlanda, ele só precisa ser ratificado pela República Tcheca.

No que tange à crise, a UE pode suportar uma troca de governo em meio a uma presidência de Conselho, e da mesma forma pode conviver com um premiê que, de fato, não é mais visto como o verdadeiro mandatário do país, caso permaneça no cargo até o fim da presidência semestral.

Pois os verdadeiros atores aqui são os grandes países da UE, como a Alemanha, a França e o Reino Unido. E as relações transatlânticas também não deverão ser abaladas pelo fato de Topolanek haver chamado, no Parlamento Europeu, os pacotes conjunturais norte-americanos de "caminho para o inferno". Ele é simplesmente ignorado, como um excêntrico.

Mas ninguém pode assumir pelos tchecos a ratificação do Tratado de Lisboa. Eles poderiam atrasar todo o processo de reformas internas da UE. É aí que está o perigo real. O presidente tcheco, Vaclav Klaus, tem a situação nas mãos. Ele, opositor declarado do tratado de reformas, precisa agora nomear um novo governo, mas pode fazer isso sem pressa, pois a Constituição tcheca não lhe impõe prazos. E naturalmente pode nomear uma pessoa que também rejeite o Tratado de Lisboa.

Foram necessárias várias tentativas para que o Parlamento tcheco aprovasse o tratado, e agora falta o Senado. Neste, os senadores do conservador partido democrático burguês ODS detêm a maioria, mas muitos deles são contra o Tratado de Lisboa. Até o momento, Topolanek vinha fazendo propaganda no ODS a favor da ratificação. Agora ele se esquiva da responsabilidade, com o argumento de que, se perder o controle sobre o ODS, o documento não será ratificado.

Se isso acontecer, será um sinal desastroso, justamente agora. A crise econômica aproximou os membros da União Europeia. Todos viram como é importante agir em conjunto. Um fracasso definitivo do Tratado de Lisboa poderia causar sérios danos a este espírito de coletividade.

E o irônico é que os membros maiores do bloco são os que melhor podem passar sem um tratado de reformas; mas os pequenos, como a República Tcheca, precisam dele urgentemente.

Autor: Christoph Hasselbach
Revisão: Augusto Valente

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