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NOTÍCIAS

Opinião: Cooperação franco-alemã está arranhada

Disputa sobre novo comissário europeu de Assuntos Monetários abala ainda mais a relação franco-alemã. Um confronto na próxima cúpula da UE não é no interesse de Berlim nem de Paris, opina articulista da DW Bernd Riegert.

Deutsche Welle Bernd Riegert

Bernd Riegert é correspondente da DW para assuntos europeus

A França e a Alemanha representam pontos de vista opostos na polícia econômica e orçamentária europeia. Isso não é nenhuma novidade nem um grande drama. A França quer fazer mais dívidas para aquecer a conjuntura econômica. A Alemanha aposta, antes, no equilíbrio orçamentário e em reformas estruturais.

Desde que François Hollande assumiu o poder na França, o presidente socialista e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, pelejam em torno do curso correto a adotar. Isso é penoso e nem sempre produtivo. No cotidiano político, leva por vezes a duras críticas. Esse "fundo musical" faz parte, simplesmente, da vida política. A partir disso não se deve engendrar nenhum fim categórico da amizade entre os dois países. A cooperação franco-alemã na Europa tem tido sempre seus altos e baixos.

Hollande e Merkel não se amam, mas até agora têm tentado manter a proximidade. Hollande anunciou reformas e prometeu uma redução do déficit. Merkel fala mais do incentivo ao crescimento e concedeu mais tempo para que a França reduza seu déficit. Até agora a chanceler federal tem ignorado e tolerado tacitamente os ataques por parte dos socialistas franceses – mas também da Itália e dos demais países em crise do sul da Europa – contra a supostamente amedrontadora austeridade econômica do governo alemão.

No entanto, a atual crise governamental na França intensifica a confrontação. Aparentemente, o presidente francês não é capaz de domar a ala esquerdista de seu partido, de implementar rapidamente reformas econômicas, de equilibrar o orçamento, nem de conter o avanço da força populista de direita da Frente Nacional. O homem está encurralado.

E, além disso, há agora também a questão de pessoal. A França quer seu ex-ministro das Finanças Pierre Moscovici como novo comissário europeu dos Assuntos Econômicos e Monetários. Ele seria o responsável pela estabilidade da moeda comum e pelo controle dos orçamentos nacionais. O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, já anunciou seu veto há semanas. Pessoalmente, ele não tem nada contra Moscovici, mas dificilmente se pode nomear o representante de um país em crise como supervisor de todos os Estados em crise.

Caso o presidente francês, François Hollande, se atenha firmemente a seu desejo de posto na nova Comissão Europeia, haverá um confrontação com a Alemanha e outros Estados do norte europeu que fazem parte da zona do euro. Se o presidente francês aceitar uma negociação, será visto em seu país como um fraco. Um belo dilema.

Nas próximas negociações em Bruxelas, o governo alemão deveria fazer tudo para não debilitar Hollande ainda mais. Um presidente francês fraco e sem espaço de manobra não pode ser do interesse alemão nem europeu. Além disso, poderia resultar um dano irreparável realmente na cooperação franco-alemã.

Onde está a saída? A chanceler federal já está tentando um acordo para evitar um dano real, para além da profusão diária de críticas políticas. Ela quer o ministro espanhol das Finanças, Luis de Guindos, como novo chefe do Eurogrupo, que reúne os ministros de Finanças dos países zona do euro. Dessa forma, um país em crise do sul europeu receberia um importante posto financeiro. A França poderia aceitar outro posto na área econômica, como o do Mercado Interno ou Comércio, ou o do Crescimento, e um norte-europeu acima de qualquer suspeita assumiria a pasta dos Assuntos Econômicos e Monetários.

Também o novo governo francês está enviando sinais: o novo ministro das Finanças e Indústria questiona a semana de 35 horas de trabalho. Até agora, nenhum de seus antecessores ousou implementar tal reforma. No final, franceses e alemães terão de entrar em acordo sobre a distribuição de cargos na União Europeia. Só assim se evitarão danos à cooperação binacional, indesejáveis tanto para Hollande como para Merkel.

A curto prazo, os problemas da UE com o crescimento econômico, déficit e taxas de inflação demasiadamente baixas não poderão ser resolvidos nem pela França nem Alemanha, tampouco por Moscovici ou por De Guindos. Muito depende de um italiano: Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu. Em breve, Draghi poderá comprar títulos soberanos de dívida pública em crise e tentar aumentar a inflação através da política monetária. Esse é o foco de atenção dos mercados, no momento, a disputa de pessoal franco-alemã é assunto secundário.

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