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Mundo

Opinião: Confissão do suposto cérebro do 11 de setembro

A confissão do xeique Khalid Mohammed, uma das cabeças do Al Qaeda, assumindo a responsabilidade pelos atentados de 11 de setembro, é bastante oportuna para os norte-americanos, opina Peter Philipp.

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Fernschreiber Autorenfoto, Peter Philipp

O xeique Khalid Mohammed estava entre os 14 membros do Al Qaeda mais procurados pelos norte-americanos. Depois de Osama Bin Laden e Ayman al-Zawahiri, ele era, claramente, o "número 3" na hierarquia da organização. Desde que foi preso no Paquistão, há quatro anos, e entregue às autoridades norte-americanas, dele nunca mais se ouviu falar: até finais do ano passado, ele devia estar em uma das contestadas prisões da CIA, tendo sido, mais tarde, transferido para Guantánamo.

E de lá se escuta, agora, que o xeique Mohammed fez uma confissão: ele teria sido o responsável pelo planejamento e execução dos ataques de 11 de setembro e teria planejado e executado outras dúzias de atentados terroristas.

Uma confissão que é bastante oportuna para Washington. As prisões da CIA e o campo de detenção de Guantánamo são criticados em todo o mundo e, até agora, os Estados Unidos fizeram muito pouco para revidar tais críticas. A forma como tratam supostos terroristas do Al Qaeda vai, claramente, de encontro às leis do Direito Internacional e, nos últimos anos, não foi somente uma vez que se constatou que ali também se encontravam inocentes, sem uma real assistência jurídica e sem chance de liberdade. A não ser que Washington tivesse perdido qualquer interesse neles, como no caso de Kurnaz.

O caso do xeique Mohammed é, todavia, diferente. Até agora, não havia acontecido uma confissão tão clara. E, agora, Washington pode aproveitá-la da melhor forma possível para justificar sua ação em Guantánamo. Pois, como se pode ter pena de um ex-terrorista, se ele foi responsável pela morte de milhares de pessoas, tendo também planejado a morte de outras milhares? Os EUA calculam, agora, claramente, que a confissão do xeique Khalid Mohammed – da qual foram publicados trechos – faça com que se abaixem as vozes críticas a Guantánamo.

Mas esse cálculo não deve dar certo, pois mesmo uma pessoa como o xeique Khalid Mohammed deveria ser levada a um tribunal justo e ser, por ele, condenada. E não ser levada perante um comitê com a exclusão do público. Após de tudo que se sabe, até hoje, sobre Guantánamo, deve-se supor que prisioneiros são ali maltratados ou, pelo menos, colocados sob um terror psicológico maciço. Tudo o que não se espera de um Estado de direito.

A pergunta sobre se o xeique Mohammed foi torturado e sua confissão surgiu através de coerção não é, obviamente, respondida pelas autoridades. Mas sabe-se que Washington não age com sensibilidade com estes prisioneiros, seja em Guantánamo, nas prisões da CIA, como também, com certeza, nos porões de Estados árabes aliados.

Sem dúvida: terroristas como o xeique Khalid Mohammed devem ser feitos inócuos. Isto deve ocorrer, entretanto, de forma corretamente jurídica. No presente caso, há dúvidas justificáveis.

Peter Philipp é chefe da equipe de correspondentes da Deutsche Welle e especialista em Oriente Médio.

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