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Mundo

Opinião: Como o mundo lidará com a Líbia no futuro

É permitido alegrar-se com o fim do caso das enfermeiras búlgaras e do médico palestino na Líbia. Mas seria preciso refletir sobre as conseqüências que isso terá no futuro, opina Peter Philipp.

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Finalmente: o martírio de oito anos de cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestino terminou. Acusados pela Líbia de ter infectado intencionalmente mais de 400 crianças com aids e condenados duas vezes à morte e depois à prisão perpétua, os seis deixaram a Líbia. Fim do caso. Pois a Bulgária certamente não vai prendê-los, como combinou com a Líbia.

Peter Philipp

Mas será mesmo o fim do caso? Deve haver muito ainda a explicar e a esclarecer nessa história ímpar. E não em primeiro lugar quem mais contribuiu para sua solução ou de onde veio o dinheiro que fluiu nesse caso. Muito, mas muito dinheiro, conforme se ouve dizer.

O que é urgente esclarecer agora é a questão sobre como o mundo, e em especial a União Européia, lidará com "tais" países no futuro. "Nós não nos deixamos chantagear", afirmam os políticos resolutamente quando se trata de seqüestros no Afeganistão ou no Iraque, ou mesmo, recentemente, quando associações turcas na Alemanha exigiram que a lei da imigração fosse amenizada. E depois acabamos por nos deixar chantagear num caso como a Líbia. A diferença – uma diferença importante: a Líbia tem petróleo e gás natural, e nós não. A fim de suprir as próprias necessidades de energia com a ajuda da Líbia, o Ocidente, de Bruxelas a Washington, está disposto a esquecer e a perdoar. Em princípio, boas qualidades. Mas não quando estão conectadas a esse tipo de proveito próprio.

Sob esse ponto de vista, possibilitou-se ou pelo menos se concordou com a reintegração da Líbia na comunidade internacional, sem que Trípoli tivesse de fato mudado substancialmente. O pagamento de indenizações às vítimas de Lockerbie, o pagamento de resgate para a libertação de reféns alemães e um fim oficial dos empenhos líbios em obter armas atômicas abriram as portas dos salões ocidentais a esse país norte-africano, da mesma forma que os salões do Baile da Ópera de Viena se abriram para o filho do chefe de Estado Kadafi.

O fato de a Líbia continuar sendo um país sem liberdade parece não incomodar ninguém. Que os direitos humanos e a liberdade de opinião não tenham vez lá – por que isso deveria incomodar alguém no caso da Líbia, se é aparentemente aceito em tantos outros casos? Pelo contrário: ajuda-se até a Líbia a ocultar de seus cidadãos o próprio desleixo. Pois parece ser certo que não há uma conspiração americano-sionista por detrás do escândalo da aids, e sim condições higiênicas insustentáveis.

O dinheiro que fluiu agora para solucionar o caso talvez tenha mesmo saído mais de bolsos líbios do que europeus, mas ele deve desviar a atenção da responsabilidade da Líbia. Que conseqüências isso terá, é algo sobre o que se deveria logo refletir profundamente. Mas agora é permitido se alegrar sobre o fim desse caso. Estava mais do que na hora. (lk)

Peter Philipp é chefe da equipe de correspondentes da Deutsche Welle e especialista em Oriente Médio.

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