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Economia

Opinião: Chipre terá tempos difíceis pela frente

A falência do Chipre foi evitada temporariamente. Bancos e investidores serão chamados a contribuir. Para o articulista da Deutsche Welle Bernd Riegert, a decisão poderia e deveria ter sido tomada mais cedo.

O Chipre não foi à falência, mas terá de abdicar de seu atual modelo de negócios e entrar numa grande recessão. Milhares de postos de trabalho serão extintos no inchado setor financeiro do país, que, até agora, respondia por cerca da metade do rendimento econômico da ilha. O governo cipriota tentou durante muito tempo salvar os bancos, mas sem sucesso.

Deutsche Welle Bernd Riegert

Bernd Riegert, articulista da DW

Ao afirmar que o Chipre está diante de tempos difíceis, o comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da União Europeia (UE), Olli Rehn, certamente tem razão. Nos próximos meses e anos, a arrecadação fiscal vai diminuir, e o gasto social vai aumentar. Desde agora, já é possível presumir que o pacote de ajuda financeira, aprovado no valor de 10 bilhões de euros, não será suficiente para sanear o orçamento estatal.

Soou de forma estranhamente vaga a declaração de Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), de que, em 2020, as dívidas do Chipre provavelmente ainda corresponderão a 100% do rendimento econômico do país. Ainda não se sabe se os 800 mil cipriotas conseguirão suportar esse fardo. O medo agora é de que os investidores estrangeiros, tanto russos quanto gregos, partam em fuga da ilha juntamente com seu dinheiro. O Chipre poderia se tornar um caso de reestruturação permanente na União Europeia.

Confiança perdida

O resgate do Chipre, como foi aprovado durante a noite, representa uma profunda cisão na luta contra a persistente crise do euro. Pela primeira vez, vê-se a desapropriação compulsória de correntistas como forma de lidar com bancos em dificuldades. Quem tiver depositado mais de 100 mil euros no Banco Laiki vai perder grande parte de seu dinheiro. O segundo maior banco da ilha será desmantelado.

O recado para os clientes bancários na Europa: o dinheiro de vocês não está seguro em lugar algum, pois se houver ameaça de falência estatal, o Estado vai se servir. Já a mensagem para os bancos é: as instituições que tiverem perdido dinheiro no cassino do sistema financeiro não vão receber ajuda a qualquer preço, como nos caso de Grécia, Irlanda e Espanha.

Mas há uma ressalva: o Banco Laiki já pertencia em grande parte ao Estado. Ou seja, o dinheiro que o Estado cipriota está perdendo será recebido de volta na forma dos pacotes de ajuda da zona do euro e do FMI.

Entre os grandes clientes do Banco Laiki estão também diversos fundos de pensão da ilha cujos depósitos não poderão simplesmente ser confiscados. Não se sabe ao certo se o desmantelamento do Banco Laiki realmente trará os prometidos 4,2 bilhões de euros.

O Banco Central Europeu (BCE) conseguiu, elegantemente, ficar de fora. A dívida de 9 bilhões de euros que o Banco Laiki tinha com o BCE foi transferida para o Banco do Chipre. Os empréstimos concedidos pelo BCE e, assim, por todos os contribuintes da zona do euro aos bancos em dificuldades deverão ser pagos de qualquer forma.

Deixar o euro seria melhor

O Chipre está pagando um alto preço para continuar na união monetária. Economicamente, teria sido mais sensato para o pequeno Estado insular provavelmente deixar a zona do euro e recomeçar com uma moeda própria desvalorizada. Os outros 16 países, no entanto, não estavam dispostos a dar esse passo – temem uma perda global de confiança na zona do euro.

Ninguém pode prever o efeito que a saída do Chipre poderia ter. Em termos meramente econômicos, o país não tem relevância para a zona da moeda comum. Um efeito-dominó não estava sendo realmente esperado, porque os bancos da ilha não possuem grandes dívidas no exterior. As filiais gregas foram desmembradas a tempo.

Todos estão de acordo de que a gestão de crise, tanto da zona do euro quando do governo do Chipre, foi uma catástrofe. As dramáticas reviravoltas dos últimos dias poderiam ter sido evitadas. Destruíram muita confiança dentro e fora da zona do euro. Em sua antiga forma, os bancos cipriotas não podiam ser salvos. Isso ficou claro desde junho de 2012, quando o Chipre entrou oficialmente com pedido de ajuda, em meio às perdas durante o resgate da Grécia.

O governo do Chipre conduziu as negociações com negligência, o que foi tolerado pela zona do euro. Somente a ameaça final do Banco Central Europeu de parar completamente a ajuda assistencial aos bancos do país conseguiu surtir efeito. Isso demonstra que o BCE é o verdadeiro senhor do processo, e não os ministros das Finanças. Este não é um bom desenvolvimento. Mas, afinal de contas, quem controla o BCE?

Formalmente, os Parlamentos de Alemanha, Holanda e Finlândia ainda têm de aprovar o acordo sobre o Chipre. Isso provavelmente vai acontecer. O Legislativo cipriota não terá nem mesmo de se pronunciar. Isso vai surpreender alguns parlamentares e fará com que a fúria dos cipriotas aumente ainda mais em relação à Europa. Mas eles não têm alternativa. Quando a situação ficou séria, a Rússia recusou-se a ajudar a ilha. Agora, ou o Chipre atende aos requisitos impostos pelo pacote de ajuda ou sai da zona do euro.

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