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Esporte

Opinião: Cada um que pratique esporte!

Entre corrupção, doping, crise na Fifa e o escândalo da DFB, o ano esportivo de 2015 não foi dos mais positivos. Resta se concentrar nas próprias atividades esportivas, opina o jornalista da DW Tobias Oelmaier.

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Tobias Oelmaier é jornalista da redação de esporte da DW

Que final amargo para o ano esportivo de 2015: o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o comandante da Uefa, Michel Platini, foram suspensos por oito anos do futebol mundial.

O Comitê de Ética da federação mundial do futebol não conseguiu provar nenhum ato de corrupção direta entre os dois principais dirigentes, mas considerou um pagamento de 2 milhões de dólares de Blatter a Platini como duvidoso o suficiente para afastar Blatter da Fifa – e com ele, seu potencial sucessor. As supostas falcatruas quanto à escolha de Catar como sede da Copa do Mundo de 2022 –insinuadas por muitos – aparentemente não formaram caso sólido o suficiente para levar os cartolas a tribunal.

O arquivo Blatter foi provavelmente o mais volumoso no vasto cadastro das notícias esportivas desagradáveis deste ano. E ele ainda não está selado. Afinal de contas, Blatter anunciou a intenção de desafiar a decisão do Comitê de Ética da Fifa na Corte Arbitral do Esporte (CAS).

Atualmente cada vez mais temas esportivos vão parar nos tribunais. O Ministério Público alemão já está investigando a fundo o escândalo de pagamento de propinas pela Federação Alemã de Futebol (DFB) no contexto Copa do Mundo de 2006. O caso resultou na renúncia do presidente da DFB, Wolfgang Niersbach. Nem mesmo a lenda do futebol "imperador" Franz Beckenbauer está totalmente a salvo, e certamente perdeu algo de seu brilho.

E desde que um documentário alemão revelou esquemas sistemáticos de doping, ocultações de testes e subornos de funcionários da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF), atletas da Rússia estão banidos de participar dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Ao menos, depois de longa batalha, a Alemanha aprovou uma lei antidoping que define como ofensa criminal a manipulação do desempenho atlético por meio de produtos ilegais e, especialmente, o fomento de tais atividades.

Muitos na Alemanha estão fartos da corrupção entre os dirigentes esportivos. Num referendo em novembro, os cidadãos de Hamburgo votaram contra a candidatura olímpica da cidade para 2024. O mesmo já havia sido feito pelos habitantes de Munique e Garmisch, em relação aos Jogos de Inverno de 2022. Eles agora serão sediados por Pequim, depois de bater o único concorrente restante: Almaty, no Cazaquistão.

O ano esportivo 2015 trouxe à luz um grande número de verdades dolorosas e de decepções, mesmo para aqueles que ainda tinham fé no bem.

O Schalke 04 deixou seu ídolo Julian Draxler deixar o clube rumo aos novos ricos do futebol alemão Wolfsburg. O ainda treinador do Bayern de Munique, Pep Guardiola, foi responsável pela saída não só do médico de longa data do clube, Hans-Wilhelm Müller-Wohlfahrt, como também de Bastian Schweinsteiger, figura de identificação dos bávaros. E até recentemente, quem poderia imaginar um Borussia Dortmund sem o gesticulante Jürgen Klopp à beira do gramado?

Quantos dissabores mais os fãs do esporte podem suportar? Até quando ainda haverá estádios cheios? Será que mídia, política e o próprio povo, que tantas vezes mitificam o esporte e lhe impõem funções que ele é incapaz de cumprir, acabarão perdendo o interesse? Seria uma conclusão lógica.

A única solução é uma reconsideração urgente: o esporte organizado tem que transformar suas palavras em atos, e trabalhar na própria credibilidade e transparência.

E como o mais provável é que este desejo vá ficar mesmo na vontade, é preciso trabalhar em si mesmos. Não se deve projetar sonhos nos profissionais, mas sim estabelecer metas que se seja capaz de cumprir: praticar esporte, em vez de assisti-lo, e se manter íntegro, mesmo que os "ídolos" não deem o exemplo.

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