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Esporte

Opinião: Blatter ainda não está derrotado

Finalmente ele se foi e o mundo do futebol respira aliviado. Mas a suspensão do ex-presidente da Fifa está longe de representar o fim da história de abuso de poder, adverte o jornalista esportivo da DW Joscha Weber.

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Joscha Weber é jornalista esportivo da DW

Lá estava ele de novo, o velho Joseph Blatter. Combativo, cheio de energia, ativo – e profundamente convencido de si mesmo.

Quando, na manhã desta segunda-feira (21/12), ele se apresentou à imprensa internacional na sede da Fifa, muitos esperavam que o ex-presidente da federação mundial de futebol fosse estar abatido. Seu andar vacilante e o curativo que há dias ele traz sob o olho direito sugeriam exatamente isso: se não estiver nocaute, Blatter está pelo menos na contagem final. Uma conclusão errada – infelizmente.

O eterno condutor da Fifa ainda não entregou os pontos. De fato, a Comissão de Ética da organização o suspendeu por oito anos por abuso do cargo, assim como o presidente da Uefa, Michel Platini. Mesmo assim, Blatter não quer aceitar esse veredicto e pretende combatê-lo em todas as instâncias. "Oito anos? Por quê?", perguntou, anunciando que lutará, "pela Fifa, por mim".

Para o cartola, ele mesmo e a Fifa sempre foram a mesma coisa. E é exatamente este o problema: mesmo depois da suspensão, ele continua definindo a agenda, vagando como um zumbi pelo quartel-general da Fifa e impedindo o urgente e necessário recomeço do futebol mundial.

Em sua apresentação pública emocionada, marcada por expressões fortes ("vergonha", "mentira", "injustiça"), ele se fez de vítima da Comissão de Ética da Fifa, exigiu tratamento humano e respeito. Para si, claro. Para quem mais?

É mais do que óbvio que o homem sofre de alienação da realidade, pois continua incapaz de explicar o duvidoso pagamento de 1,8 milhão de euros, que os investigadores concluem tratar-se de propina para a vitória eleitoral de Blatter em 2011.

Seria possível rir de seu monólogo entre cômico e ridículo diante da imprensa mundial, se a questão não fosse tão séria. O futebol se encontra diante de uma encruzilhada. A liderança do esporte mais apreciado no mundo caiu em descrédito, e com razão. Investigações pelas autoridades dos Estados Unidos e da Suíça revelaram um sistema inteiramente corrupto, a que é preciso dar fim – já.

"Não posso dizer que este seja um bom dia para a Fifa", disse Blatter, e a gente se sente tentada a replicar: "Mas é sim!" No entanto, será mesmo? Certo é que a condenação de Blatter proporciona a chance de finalmente arrumar a casa na Fifa.

O sistema de maquinações dúbias e ilegais, tolerado durante anos pelo dirigente – e de que, aos olhos da Comissão de Ética, ele também participou ativamente – precisa ser reformado e eliminado. Contingentes de ingressos para a Copa do Mundo em troca de votos, direitos de transmissão televisiva por suborno, cargos de funcionário por influência: na Fifa é como no mercado negro, tudo parece venal, também os mundiais de futebol.

Blatter promoveu essa cultura da corrupção durante anos e se beneficiou dela. Parte da ironia da história é ser justamente a Comissão de Ética da Fifa – instrumento instalado por ele possivelmente para fins de relações públicas e que, por último, neutralizou seus adversários Mohamed bin Hammam e Jack Warner – a decretar a condenação do cartola, pelo menos provisoriamente.

Como essa história vai continuar? Com uma disputa judicial provavelmente prolongada. Pois – isso também é certo – o ex-presidente ainda não está derrotado, e o mesmo se aplica ao sistema criado por ele. Quase todos os postos da Fifa estão ocupados com gente de confiança de Joseph Blatter, sabe-se que muitos funcionários estão comprometidos.

Ainda bem antes dos veredictos das próximas instâncias no caso Blatter, a federação esportiva mundial se encontra diante da tarefa hercúlea de se reformar fundamentalmente. Só quando isso for alcançado é que se poderá constatar se este dia foi realmente bom para o futebol.

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