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Mundo

Opinião: Ataque ao "Estado Islâmico" na Síria marca guinada

Obama hesitou por muito tempo em iniciar uma ação militar na Síria. Decisão é uma mudança na política americana em vários sentidos, opina o editor-chefe da DW, Alexander Kudascheff.

Alexander Kudascheff DW Chefredakteur Kommentar Bild

Alexander Kudascheff é editor-chefe da DW

Os Estados Unidos mostraram que não estão para brincadeiras – e atacaram o "Estado Islâmico" (EI) de maneira decisiva e resoluta na Síria, onde os jihadistas têm sua principal base, em Raqqa e redondezas. E eles não atacaram sozinhos: eles estão enfrentando o EI com aliados árabes! Entre eles a Arábia Saudita, que é suspeita de incentivar, apoiar e financiar a milícia terrorista.

Isso mostra que os EUA não estão entrando sozinhos na guerra contra os islamistas fundamentalistas na Síria e no Iraque. Eles procuram uma aliança maior, mesmo sem ter um mandato da ONU. E os tradicionais aliados de Washington – o Reino Unido e a França – estão, em princípio, também dispostos a atacar.

Isso é uma guinada no Oriente Médio. Pois, embora o presidente sírio, Bashar al-Assad, sequer tenha sido consultado sobre a realização de ataques em seu país esfacelado pela guerra civil, é possível que justamente Assad seja o maior beneficiado da luta contra o EI.

Até então, Assad era o pária do Oriente Médio, um autocrata e ditador, responsável por 200 mil mortes e milhões de refugiados. Mas, na guerra contra a milícia islâmica, Assad pode se tornar um parceiro estratégico e tático. A escolha entre EI e Assad é politicamente pouco atraente, mas, na dúvida, a aliança internacional vai privilegiar Assad.

A guerra contra o EI, que se iniciou com os ataques aéreos, também é um ponto de guinada para Obama. O ganhador do Prêmio Nobel da Paz queria que os Estados Unidos não entrassem mais de guerras. Ele retirou as tropas americanas do Iraque. No Afeganistão, a retirada já começou e deve ser concluída no final do ano que vem.

Com Obama, os Estados Unidos eram uma potência em retirada, alguns falavam até mesmo de um renascimento do isolacionismo. Agora eles retornaram às ações militares no Oriente Médio. No momento só com operações aéreas e não terrestres. Mas por quanto tempo é possível manter esssa postura, quando a história militar mostra que as guerras são vencidas no combate terrestre? E com grandes perdas, é claro.

E é uma guinada também na determinação política em não apenas combater e conter o EI, mas em destruí-lo. A incrível brutalidade dos islamistas, encenada midiaticamente, e o seu desejo de destruir culturalmente o Oriente Médio e acabar com sua milenar diversidade, não será tolerada.

Essa guerra contra esses combatentes religiosos de ideologias medievais é realmente uma guerra contra o terrorismo, contra o islamismo. A luta contra o fascínio exercido por uma interpretação arcaica do islã está apenas começando. E não apenas no Oriente Médio, mas também na Europa e na Alemanha, onde milhares de jovens estão dispostos a morrer por Alá.

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