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Mundo

Opinião: Alemanha tem que repensar apoio incondicional a Israel

Política de assentamento em territórios palestinos é sério obstáculo à paz no Oriente Médio. Na qualidade de Estado amigo, Berlim tem dever de criticar prepotência israelense, opina Bettina Marx.

Bettina Marx Mitarbeiterin Deutsche Welle

Bettina Marx

Em Israel, a Alemanha é vista como amiga fiel e confiável. A nação europeia apoia o pequeno país há décadas: os submarinos Dolphin – vindos da Alemanha e, em parte, financiados com dinheiro do contribuinte alemão – são as armas mais caras de que Israel dispõe.

Mais importante do que a ajuda militar, no entanto, é o apoio político de Berlim. Durante anos, os alemães se colocaram quase incondicionalmente do lado os israelenses na União Europeia e na Organização das Nações Unidas, cuidando para que obtivessem privilégios e para que sua política beligerante não fosse condenada pelo bloco.

Desde que chegou ao poder, em 2005, a chanceler federal Angela Merkel tem sido a fiadora dessa relação especial. Ela declarou a segurança de Israel como questão de Estado para a Alemanha, colocando-se do lado do país mesmo quando ele transgrediu o direito internacional. Um exemplo foi quando, em 2008, ela foi a Jerusalém e apertou a mão do então primeiro-ministro Ehud Olmert, apenas um dia após a ofensiva israelense contra Gaza, em que morreram mais de mil pessoas.

No entanto, há algum tempo esse apoio incondicional vem se debilitando. O pomo da discórdia é a política israelense de assentamento, a qual Merkel considera o obstáculo decisivo no caminho da paz no Oriente Médio – no que conta com a concordância de praticamente todo o mundo.

Onde poderá nascer um Estado palestino viável, se não nos territórios ocupados por Israel desde 1967? Se o país, ao invés de evacuar os assentamentos, continuar ampliando-os dia a dia, ele próprio sabota a única possibilidade de encerrar o conflito com os palestinos, que é a solução de dois Estados: um palestino autônomo ao lado do israelense.

A alternativa seria um único Estado entre o mar Mediterrâneo e o rio Jordão, em que ambos os povos vivessem lado a lado, em igualdade de direitos. Entretanto Israel rejeita essa solução, insistindo num "Estado judaico", com uma maioria de judeus privilegiados jurídica e economicamente.

Sem perspectivas de paz

Israel coloca a si próprio num beco sem saída. Deste modo, mesmo não pondo em risco o seu futuro no Oriente Médio – para tal, é forte demais militarmente –, o país ameaça o futuro de seus cidadãos, que desejam viver e criar seus filhos num Estado esclarecido, democrático e próspero.

O atual governo, de extrema-direita, tudo faz para impossibilitar uma solução pacífica e justa do conflito no Oriente Médio. Mais ainda: esse governo vem esfacelando os fundamentos democráticos de seu sistema político. Ele aprova lei após lei prejudicando a minoria palestina em Israel, cada vez mais discrimina e difama os dissidentes políticos.

Uma consequência é que cada vez mais israelenses abandonam o país, dezenas de milhares buscam perspectivas em outros lugares, como na Alemanha. Facilitar a obtenção de vistos de permanência e de trabalho para esses emigrantes foi um dos poucos efeitos positivos da quinta reunião bilateral de consultas entre Alemanha e Israel.

De resto, porém, permanece o fato: é impraticável para Berlim respaldar a atual política israelense. Justamente por se sentir comprometida com a segurança do país amigo, a Alemanha tem que criticar a política agressiva e prepotente israelense. Se, como enfatiza repetidamente Merkel, a Alemanha defende os direitos humanos, por responsabilidade histórica, então não pode observar tacitamente os direitos dos palestinos serem pisoteados.

Só resta, portanto, encorajar o governo alemão a exigir de Israel, a "única democracia no Oriente Médio", que faça valer o direito internacional, e que Berlim subordine todo apoio futuro a essa clara condição.

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