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Mundo

Opinião: Ajuda alemã para combater "Estado Islâmico" deixa gosto de impotência

A Alemanha pretende enviar cem instrutores militares ao norte iraquiano para apoiar combatentes peshmerga na luta contra o EI. A Síria e o Iraque precisam de bem mais do que isso, opina a articulista da DW Naomi Conrad.

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Articulista da DW Naomi Conrad

Ali estão eles, o ministro do Exterior e a ministra da Defesa da Alemanha, olhando seriamente para as câmeras dos muitos jornalistas que os cercaram nesta quarta-feira (17/12) no centro de imprensa Bundespressehaus, em Berlim. Conter a inconcebível barbárie do autoproclamado "Estado Islâmico" (EI); não desviar o foco; dar ajuda e apoio àqueles que se opõem à barbárie, aos horrores e aos assassinatos. De acordo com as declarações quase patéticas dos dois políticos, a Alemanha ajuda e apoia. Berlim não abandonará os peshmerga, que lutam no Iraque contra os horrores do EI, entoaram os dois ministros, enquanto fotógrafos se aglomeravam entre câmeras de vídeo para registrar os semblantes sérios dos políticos.

Com seus modernos aviões de combate, a Alemanha também vai, finalmente, participar dos bombardeios aéreos internacionais contra a milícia terrorista do EI? Nada disso. A Alemanha vai enviar instrutores para o norte do Iraque, decidiu o governo na manhã desta quarta-feira. Até cem soldados das Forças Armadas alemãs deverão treinar o Exército curdo na cidade de Erbil para a luta contra as milícias terroristas do autoproclamado "Estado Islâmico".

Uma missão puramente de treinamento, e não de combate, destacou o ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier. E foi garantido que a decisão poderá ser revogada a qualquer momento, caso se alterem as condições de segurança, disse. A Alemanha continuará, portanto, não se envolvendo nos bombardeios aéreos da coalizão internacional contra o EI.

Embora o Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) ainda tenha que aprovar a missão no início do ano que vem, os dois ministros já se posicionaram ao lado da imensa árvore de Natal no centro de imprensa em Berlim para anunciar a sua mensagem de paz: A Alemanha faz o que pode para trazer a paz à Síria e ao Iraque. Sem entrar na luta, é claro. Primeiro, foram enviados armas e suprimentos de emergência, e agora virão os instrutores.

Isso já não é quase um cinismo? No Iraque e na Síria, alastra-se a fúria dos jihadistas, que, em nome de um Islã por eles distorcido e desfigurado, matam jornalistas e opositores, estupram e vendem mulheres da minoria yazidi, ocupam escolas e hospitais com ideólogos em vez de profissionais, e espalham sua mensagem com uma brutalidade inconcebível.

Em outras palavras: na Síria e no Iraque está surgindo um regime desumano e sanguinário, que encontra simpatizantes na cena jihadista na Nigéria, no Paquistão e no Egito e também na Europa e na Austrália. E o governo alemão envia agora um contingente de cem soldados para fazer frente à milícia terrorista? Será que essa é a resposta exigida há meses pelo presidente alemão, Joachim Gauck, assim como pelo ministro do Exterior e pela ministra da Defesa?

Certamente, não há respostas fáceis para o "Estado Islâmico" – como também não há, principalmente, nenhuma solução militar simples ou soluções políticas para a Síria e o Iraque. Se um dia elas tiverem existido, hoje não existem mais: o mundo hesitou por tempo demais em oferecer apoio real à oposição síria na luta contra Assad, criando, assim, um vácuo em que o islamismo e o terrorismo puderam prosperar.

É claro que os curdos precisam de ajuda urgente na luta contra as milícias terroristas: apoio aéreo e armas modernas – e, naturalmente, também a ajuda de instrutores, para lhes ensinar a usar essas armas. Mas, ainda assim, esta missão deixa um gosto amargo: o da impotência.

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