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Mundo

Opinião: Afeganistão ameaça ser próxima vítima do EI

Após perdas no Iraque e Síria, jihadistas avançam agora para o leste. É o preço por a comunidade internacional ter deixado inacabada a sua missão, opina Florian Weigand, chefe da redação pachto e dari da DW.

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Florian Weigand, chefe da redação pachto e dari da DW

Era só uma questão de tempo. Há meses, boatos sobre atividades do "Estado Islâmico" (EI) rondam a imprensa e redes sociais afegãs. Algumas autoridades governamentais de segundo escalão têm participado das especulações, outras desmentem sistematicamente.

Mas agora é praticamente oficial: o próprio presidente do Afeganistão, Mohammad Ashraf Ghani, confirma que o EI é responsável pelo atentado em Jalalabad, que causou a morte de 33 funcionários do governo.

Agora paira o temor de que possa se repetir em Hindukush algo semelhante ao que já é uma terrível realidade no Iraque. Cabul é sede de um governo fraco, dividido em duas facções que se combatem e que, um ano depois de eleito, ainda não conseguiu ocupar todos os ministérios.

A maior parte das tropas internacionais de paz se retirou do país no início do ano. A Isaf passou à história, após 13 anos de atuação. O que fica é uma missão de suporte, para formação de forças de combate afegãs – a qual, apesar de se chamar Resolute Support (Apoio Resoluto), em caso de necessidade estará mal habilitada a cumprir promessa tão nobre.

Os soldados afegãos lutaram com bravura em duas operações no sul e nordeste do país, mas estão igualmente inaptos a vencer uma guerra contra insurgentes. O EI dispõe, portanto, de excelentes cartas para conseguir êxito também no Afeganistão.

Esta, agora, é a paga por a comunidade internacional ter se retirado prematuramente de Hindukush. Não por a missão ter sido concluída com sucesso, mas por ela não ser mais justificável diante dos respectivos eleitorados nacionais. O caos é fato conhecido pelos especialistas militares e da assistência humanitária, porém é minimizado pela política, à medida que esta também vai reduzindo as verbas para a reconstrução civil.

O fato de o EI se apresentar justamente agora no Afeganistão, contudo, está relacionado aos desdobramentos atuais no Iraque e na Síria, onde, nas últimas semanas, os jihadistas sofreram severas perdas. As bombas da aliança internacional os expulsaram de diversas posições importantes.

Os estrategistas do EI vão decerto refletir cinicamente sobre como compensar essa rebordosa, tirando o máximo de vantagem midiática. O Afeganistão e, no futuro, talvez, também a frágil potência atômica do Paquistão, praticamente se oferecem como novo território de operações.

No entanto, permanecem alguns pontos de interrogação: até o presente, atentados como o deste sábado (18/04) em Jalalabad não faziam parte do repertório preferencial do EI.

Ao contrário da Al Qaeda, os milicianos fundamentalistas não se esforçavam para chamar a atenção através de espetaculares investidas isoladas, mas sim com a formação e ampliação de um território de dominação o mais contínuo possível. Limpezas étnicas e vídeos de execuções serviam sempre à meta de tornar ainda mais poderoso o novo "califado".

O atual atentado traz, portanto, a assinatura de grupos terroristas da região, que tentam desestabilizar os governos em Cabul e Islamabad com investidas de efeito midiático.

De fato, segundo as informações de que dispõe a DW, a fonte que reivindicou o atentado é antigo membro do Talibã paquistanês. Um grupo dissidente que se separou dele há algum tempo, e jurou fidelidade ao "Estado Islâmico" através de uma mensagem de vídeo.

Não há como dizer se esse subgrupo se tornou agora ativo obedecendo a um comando direto do Iraque, ou se continua operando de forma basicamente independente, como uma "franquia do terror" do EI. Ambas as variantes trazem visões terríveis.

Há motivos para temer um verão sangrento na Ásia. Os talibãs é que mais lucrarão com isso. A fim de afastar a terrível perspectiva de um ramo do EI em Hindukush – portanto, na proximidade das armas nucleares paquistanesas –, Cabul e a comunidade internacional farão todo tipo de concessão, a fim de integrar o Talibã num processo de paz.

Seu antigo regime de terror e os numerosos atentados do presente serão conscientemente postos de lado. E aí a vítima poderá ser tudo aquilo por que a comunidade internacional se engajou, 13 anos atrás: um Estado secular com liberdade, direitos femininos e tolerância.

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