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Economia

Opinião: Acumulação de riqueza não é vergonha

Em breve, a fortuna acumulada por 1% da população mundial vai superar a dos outros 99%. Mas, apesar do abismo, isso acaba beneficiando também as camadas mais pobres, opina Fabian Schmidt, da DW.

Deutsche Welle Fabian Schmidt

Articulista da DW Fabian Schmidt

A organização internacional de ajuda humanitária Oxfam alerta para uma crescente desigualdade: em 2016, 1% da população terá tanto dinheiro quanto os 99% restantes. O abismo entre pobres e ricos cresce cada vez mais. Isso leva a crer que os ricos estão ficando cada vez mais ricos, e os pobres, cada vez mais pobres.

Mas isso não é verdade. O certo é que os ricos estão ficando cada vez mais ricos e os pobres, também cada vez mais ricos – mas não com a mesma velocidade. Nunca antes na história mundial tantas pessoas oriundas de classes desprivilegiadas conseguiram ascender à classe média como nas últimas duas décadas. E nunca, desde o século 19, tão poucas pessoas passaram fome como nos dias de hoje – apesar de uma população mundial em constante crescimento.

O dedo moralmente apontado proveniente da crítica do capitalismo esconde a verdade incômoda: é a economia de mercado que possibilita essa prosperidade para camadas cada vez maiores da população. Nas últimas décadas, o desenvolvimento econômico foi particularmente intenso onde a economia de mercado pôde se desenvolver após o fracasso dos sistemas socialistas de redistribuição de riqueza – como no Leste Europeu e na Ásia.

A economia de mercado se mostrou realmente sustentável onde foram introduzidas a liberdade e a democracia e, particularmente importante, o acesso à educação. A redução da pobreza, no entanto, fracassou em todos os lugares onde regimes corruptos e totalitários encheram os próprios bolsos e aniquilaram todo e qualquer espírito de inovação, sem o qual o progresso não é possível.

A ideia de que os ricos se divertem à custa do resto da população está completamente errada. Mesmo que alguns superricos gastem o seu dinheiro com artigos de luxo, isso beneficia a todos: da produção de cada superiate e de cada carro de luxo depende centenas de postos de trabalho. Invenções, que são testadas pela primeira vez no setor de alto custo, são encontradas mais tarde em produtos de massa. Cada viagem de luxo ou cada etiqueta de moda ocupa setores inteiros da economia.

Além disso, a maioria dos ricos não ostenta a sua riqueza de forma necessariamente ofensiva. Uma razão para isso está no fato de que a riqueza nunca foi tão inútil quanto hoje. O rápido desenvolvimento tecnológico cria, de qualquer maneira, um maior acesso a mercadorias e serviços, algo que há algumas décadas era domínio exclusivo dos ricos.

Mas, atualmente, trabalhadores e funcionários comuns de países desenvolvidos e emergentes podem pagar viagens aéreas. Eles se comunicam com os mesmos smartphones e computadores, como os multimilionários. E têm da mesma forma acesso à medicina moderna e até mesmo aos próprios meios de produção.

Mas, o que os 1% mais ricos fazem com todo o seu dinheiro? Claro: investem e aumentam ainda mais. E, no final, isso também beneficia novamente a todos.

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