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Mundo

Opinião: Acordo com o Irã é bom para todos, mas ainda não é final feliz

Consenso é primeiro passo para uma solução pacífica e diplomática do conflito em torno do programa nuclear. Uma nova guerra no Oriente Médio seria loucura, opina o chefe da redação persa da DW, Jamsheed Faroughi.

O principal vencedor do acordo com o Irã é, claramente, o povo iraniano. As assim chamadas "sanções inteligentes" visavam atingir sobretudo os detentores do poder no Irã: o embargo às exportações de petróleo e gás natural deviam mostrar efeitos claros, cortando a abundante fonte de dinheiro da República Islâmica.

Essas sanções "com inteligência agregada", de fato, cumpriram grande parte de seus objetivos. Mas ao mesmo tempo provocaram muito mais danos do que planejado, e no fim das contas foi a população quem mais sofreu com suas consequências.

Deutsche Welle Persische Redaktion Jamsheed Faroughi

Jamsheed Faroughi

É possível que, movido por um orgulho nacionalista difícil de justificar, um ou outro iraniano apoie o peculiar programa nuclear de Teerã. Mas quando se tem fome, sabidamente não é boa ideia tentar substituir pão pelo extremamente insalubre yellowcake de urânio.

O povo iraniano queria sair rapidamente do isolamento, tinha esperanças de uma melhora da situação econômica. Por meio da suspensão ou mesmo remoção das sanções, os iranianos almejavam abertura política e reivindicavam mais direitos e mais liberdade. A vitória de Hassan Rohani no pleito presidencial também foi um produto dessas necessidades populares. A população iraniana depositava suas esperanças num "milagre de Genebra".

O regime iraniano também conta entre os vencedores. Em última análise, as sanções nada mais eram que uma espécie de morte lenta. Atentados terroristas, como recentemente na capital libanesa, Beirute; as tensões crescentes entre o governo e as minorias étnicas e religiosas – por exemplo nas regiões curda e balúchi do país –; o descontentamento generalizado dos cidadãos; a interferência secreta dos Estados vizinhos nos assuntos internos; e, acima de tudo, o perigo de uma intervenção militar: esses foram os verdadeiros motivos para a mudança de curso por parte de Teerã.

Assim pode-se dizer que o acordo no conflito nuclear representa um seguro de vida mais eficaz para os donos do poder no Irã e para a continuação de seu domínio. A condição para tal é que Rohani traduza em atos as suas promessas eleitorais.

Um acerto com o Irã foi também importante para os Estados Unidos e outros países ocidentais. O mundo não tem como bancar mais uma guerra no Oriente Médio. O futuro do Afeganistão após a retirada das tropas internacionais é incerto; os fundamentalistas islâmicos encontraram sua nova pátria no Paquistão; a segurança no Iraque segue precária; a guerra civil na Síria continua; a árvore da Primavera Árabe só deu frutos amargos.

Arriscar uma nova guerra numa região assim é praticamente loucura. Um decidido "não" à guerra deverá ser o impulsionador mais sensato para uma solução pacífica e diplomática do conflito nuclear com o Irã.

Muitos lucraram com o impasse em torno do programa nuclear, mas também com o embargo ao Irã. Petróleo e gás a preços baixos, a continuação do fornecimento de peças de reposição e artigos comerciais e a troca de moedas são apenas alguns exemplos. Turquia, Rússia, China, Emirados Árabes Unidos e até mesmo Afeganistão inegavelmente souberam aproveitar a oportunidade e se beneficiaram.

Esses países podem agora não estar felizes com a normalização das relações entre o "Grande Satã" e o "Eixo do Mal", mas eles também não querem uma nova guerra na região. Nem mesmo Israel precisa de uma guerra, bastam-lhe garantias de segurança.

O acordo comum é apenas um primeiro passo em direção à conclusão da disputa sobre o programa nuclear do Irã. Decerto esse pacto não é a panaceia universal para solucionar a totalidade dos problemas. Naturalmente não é hora de as partes se recostarem, despreocupadas e relaxadas, e esperar pelo final feliz do conflito. As circunstâncias ainda são extremamente delicadas, e a atual aproximação entre o Irã e o Ocidente não desperta sentimentos positivos em todos. Mas alguém teria esperado outra coisa?

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