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Mundo

Opinião: Acordo é chance histórica em conflito nuclear com o Irã

Teerã e comunidade internacional não devem desperdiçar oportunidade de dissolver sequelas de política irracional. Intransigência de ambos os lados ainda representa obstáculo, opina Jamsheed Faroughi.

Deutsche Welle Persische Redaktion Jamsheed Faroughi

Jamsheed Faroughi, da redação persa da DW

Agora a coisa é séria: a partir desta segunda-feira (20/01) passa a ser aplicado concretamente o histórico acordo provisório para o fim do conflito nuclear com o Irã. O governo nacional, a União Europeia e os Estados Unidos deram seu sinal verde. Teerã mantém, assim, seu novo curso na política atômica e demonstra disposição ao consenso, após anos de tática de procrastinação e negociações estagnadas com o Ocidente.

São os seguintes os pontos centrais do acordo interino: o Irã vai suspender o enriquecimento do urânio a 20%; transformar em bastões radioativos o material já enriquecido a 20%; e não construir novas centrífugas. Em contrapartida, será suspensa parte das sanções contra o país – por exemplo, nos setores bancário e de seguros e na aviação civil – e serão liberados parceladamente rendimentos com venda de petróleo no valor total de 4,2 bilhões de dólares. A primeira parcela, de 550 milhões de dólares, deve ser paga no início de fevereiro.

O que esse acordo representa para os EUA, Teerã e a comunidade internacional? Para Washington, é um passo para a solução pacífica do conflito nuclear com o país persa –o presidente Barack Obama terá a chance histórica de evitar uma guerra iminente com o Irã. Para a comunidade internacional, é uma pausa para respirar, numa das mais perigosas e instáveis regiões de conflito do mundo. Para os governantes iranianos, por último, a renúncia a uma política nuclear – a rigor, sem sentido – representa o retorno à comunidade internacional e um melhor "seguro de vida" político.

Entretanto há resistências significativas de ambos os lados. Sem o aval do líder religioso iraniano aiatolá Ali Khamenei, um acordo com o Ocidente é certamente impensável. Contudo, há muito os ultraconservadores do Irã deixaram de falar uma linguagem comum.

Certas facções do Exército de Guardiães da Revolução Islâmica defendem que se mantenha a política de confrontação em relação ao Ocidente. Para alguns de seus oficiais de alta patente, a política nuclear de Mahmud Ahmadinejad foi altamente lucrativa, aumentando a influência política da Guarda Revolucionária. Esse grupo de interesse não aceitará tacitamente e sem resistência o novo rumo na política nuclear.

Também nos Estados Unidos nem todos estão satisfeitos com o acordo. Dos 100 senadores em Washington, 59 se pronunciaram por um endurecimento das sanções. No entanto, a imposição de novas medidas punitivas contra o Irã poderá pôr a perder todas as conquistas alcançadas – o governo iraniano já advertiu a respeito.

Este acordo provisório é apenas o começo. Para uma estratégia de longo prazo bem sucedida, é preciso que todas as partes avaliem a situação de forma realista, é também ponderação quanto aos futuros passos e muita paciência. Miopia política e decisões precipitadas, por outro lado, são contraproducentes. É preciso não ceder à pressão dos linhas-duras e lobistas. Não há espaço para ainda mais erros no Oriente Médio.

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