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Estados Unidos

Opinião: A perigosa retórica de Trump com a Coreia do Norte

Prudência nunca foi ponto forte de Trump, mas suas perigosas ameaças à Coreia do Norte lançam os Estados Unidos num dilema onde recuar significa fraqueza e avançar implica guerra, opina o correspondente Miodrag Soric.

Soldado norte-coreano saúda o líder Kim Jong-Un em parada militar em Pyongyang, em 15 de abril de 2017

Soldado norte-coreano saúda o líder Kim Jong-Un em parada militar

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou a Coreia do Norte com "fogo, fúria e poder" nunca antes vistos. Por que o mundo não pode simplesmente ignorar essas palavras, assim como muitas falas desse presidente, como conversa fiada, como mais uma declaração de um político narcisista que, no final, não é seguida por ações? A resposta: porque essa guerra de palavras pode facilmente virar uma batalha militar que teria consequências fatais para milhões de pessoas. Não seria o primeiro conflito a começar com ameaças, em algum momento sair do controle e, por fim, virar uma guerra destrutiva.

O presidente americano é o comandante supremo do Exército mais poderoso do mundo. Portanto, ele deveria medir com mais cuidado suas palavras e fazer ameaças desse tipo só quando realmente estivesse disposto a agir militarmente. Mas cautela, previsibilidade, racionalidade e prudência não são traços da personalidade deste presidente, infelizmente. Ele não mantém a cabeça fria. Pelo contrário, é um cabeça quente. Ele é impulsivo, impaciente, emotivo – e, por isso, perigoso.

Miodrag Soric

Miodrag Soric é correspondente da DW em Washington

Justamente por isso Trump não é capacitado para o cargo de comandante supremo, segundo o ex-presidente Barack Obama. Mas o eleitor americano votou de outra maneira. Da eleição para cá, esvaiu-se qualquer esperança de que Trump melhorasse no exercício do cargo, passasse a formular suas declarações e a agir com mais prudência. As palavras de Trump para a liderança norte-coreana provam isso, mais uma vez.

Com a ameaça do presidente, é a credibilidade de seu país que está em jogo. Se Washington recuar, o que seria sensato, outros potentados e inimigos dos EUA tomariam nota disso. Se calhasse, eles seguiriam o exemplo da Coreia do Norte e também peitariam os Estados Unidos. Por isso, Washington não pode agora demonstrar fraqueza perante a liderança criminosa da Coreia do Norte. Mas também não pode se deixar arrastar para uma guerra que poderia devastar uma região inteira.

Esse conflito só pode ser amenizado se ambos os lados recuarem. Ou se um mediador honesto ajudar a apaziguar a situação. Nenhuma das duas opções parece provável. Nem os EUA nem a Coreia do Norte querem ceder. E possíveis intermediários, como China ou Rússia, jogam seu próprio jogo. É verdade que tanto Pequim como Moscou são contra armas nucleares nas mãos do regime de Kim, mas ambos temem ainda mais um aumento da influência americana no caso de o ditador norte-coreano ser deposto. Portanto, o status quo com um regime stalinista em Pyongyang atende a seus interesses nacionais.

No entanto, Trump aparentemente não quer aceitar essa situação. Ele quer forçar a Coreia do Norte a se desarmar. Mas, no estágio atual, ele só poderia fazer isso por meio da força. A liderança norte-coreana, por sua vez, aposta que Trump não esteja realmente pronto para uma guerra e avança firmemente com seu programa de armas. Pyongyang acredita só poder sobreviver às próximas décadas se tiver uma bomba nuclear.

Trata-se de uma situação perigosa, na qual ambos os lados podem acabar cometendo um erro de cálculo. Pois Trump está frustrado por seu programa de governo não avançar, seu partido o deixar na mão e seus apoiadores de outrora estarem há muito decepcionados. Essa não seria a primeira guerra travada no exterior para desviar a atenção de problemas internos.

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