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Mundo

Opinião: A impotência da UE diante do tráfico humano

Morte de 71 refugiados dentro de um caminhão na Áustria chama a atenção para a desumanidade dos atravessadores de refugiados. No entanto, não é fácil combatê-los, opina Barbara Wesel, correspondente em Bruxelas.

Barbara Wesel Studio Brüssel

Barbara Wesel é correspondente da DW em Bruxelas

Quanto mais longe se estiver dos locais onde transcorrem os dramas de refugiados na Europa, mais teórico é o debate sobre o tema. Quando mais perto se estiver dos acontecimentos, mais terríveis eles são em detalhes. Essa experiência foi vivenciada pelos representantes da União Europeia (UE) na última quinta-feira (27/08), em Viena. De um caminhão abandonado no acostamento de uma autoestrada austríaca, foram resgatados muito mais corpos do que se temia inicialmente.

A Comissão Europeia classificou de chocante a descoberta macabra e falou de atos criminosos sombrios, que deveriam ser combatidos com todas as forças. Algo semelhante se escutou por parte da chanceler federal alemã, Angela Merkel, e dos ministros responsáveis. Atualmente, a luta contra os atravessadores está no topo da agenda europeia. Mas isso se encontra, em grande parte, somente no papel. As assertivas servem, sobretudo, para mostrar trabalho e acalmar a opinião pública.

Já há alguns anos, especialistas vêm apontando que o contrabando de seres humanos está substituindo o tráfico de drogas como a maior fonte de renda da criminalidade organizada. No início, tratava-se principalmente de mulheres e crianças, mas agora a massa de refugiados avançou para objeto de exploração criminosa. E, diante disso, tanto as instituições europeias quanto os aparatos militares e policiais se encontram impotentes.

Em nível europeu, a chamada luta contra os traficantes transcorre, atualmente, sobretudo no Mediterrâneo. Ali, a Marinha alemã também coopera com autoridades italianas e de outros países, investigando as rotas e redes de atravessadores. No entanto, eles não podem entrar realmente em ação, tentando no máximo capturar alguns criminosos entre a massa de migrantes resgatados do mar. Ali, porém, encontram-se somente "peixes pequenos" – já há bastante tempo esses barcos de gangues líbias são guiados por jovens desavisados, que não têm, na verdade, nada a ver com a organização criminosa.

Por isso, é uma ilusão pensar que é possível impedir as atividades de traficantes de seres humanos na Líbia. Por trás deles, estão clãs inteiros, dos quais não se pode chegar perto, porque não existe governo no país e nenhum mandato da ONU para uma intervenção violenta externa. E nem uma coisa nem outra deverá acontecer num futuro próximo.

Quanto à nova rota principal dos refugiados no leste através do Mediterrâneo, ou seja, através da Grécia: os atravessadores locais se encontram na Turquia. O governo em Ancara poderia, se quisesse, empreender alguma coisa contra eles. Mas ele não quer, já que tais gangues lhes livra de centenas de milhares de refugiados, que, de outra forma, talvez permanecessem em solo turco.

E, finalmente, os Bálcãs, de onde vêm os responsáveis pela viagem do caminhão da morte, que atualmente tanto nos abala. Já há vários anos, os países dos Bálcãs proporcionam um porto seguro para o crime organizado. Governos fracos ou corruptos, estruturas mafiosas na polícia ou na Justiça e o fraco desenvolvimento econômico ofereceram um terreno fértil para o crescimento de bandos criminosos, cujas redes já se alastraram por toda a Europa.

E, contra tal, a União Europeia se encontra em grande parte impotente. Faltam os instrumentos para colocar, de fato, um ponto final nessas atividades criminosas. Os poderes da polícia austríaca e alemã terminam, respectivamente, em suas fronteiras nacionais. A cooperação melhorou, e foram alcançados êxitos, como mostram agora as rápidas detenções na Hungria no caso do caminhão abandonado na Áustria. Mas diante do tamanho dessas organizações criminosas e de sua força financeira, tais êxitos são somente pontuais. Os chefes das gangues continuam protegidos em seus países de origem.

Com os meios disponíveis atualmente, é quase impossível perseguir e mesmo derrotar as gangues de atravessadores. Para tal, a UE e os países-membros deveriam organizar e equipar muito rapidamente a polícia e as autoridades de segurança, ou simplesmente retirar a promessa feita. E independentemente disso: sem o emprego de atravessadores, como poderão chegar à Europa refugiados desprotegidos da Síria ou do Iraque?

Observamos há meses as perigosas rotas seguidas pelos refugiados e, até agora, não encontramos nenhuma possibilidade legal para a sua entrada. Bem mais que possíveis medidas militares e policiais, tais possibilidades poderiam, de uma vez só, arruinar o modelo de negócios dos bandos criminosos.

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