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Alemanha

Opinião: A frase da semana

Apesar de palavras emotivas sobre refugiados, Angela Merkel continua firme e segura em sua postura, opina Dagmar Engel, chefe da sucursal de Berlim da DW.

Aqui a frase novamente: "Se agora tivermos que pedir desculpas por mostrarmos um rosto amigável frente a uma situação de emergência, então, este não é o meu país." Essa foi a resposta de Angela Merkel à acusação de ter sinalizado uma disposição de acolhimento exagerada e, assim, contribuído para aumentar o fluxo de refugiados. A acusação partiu de diferentes lados, inclusive do seu partido a União Democrata Cristã (CDU) e do tradicional aliado União Social Cristã (CSU).

Essa frase foi dirigida, sobretudo, a esses críticos e contém um velado tom de ameaça: com ou sem ela. "Com ela", quando se trata de mostrar uma imagem amigável e generosa da Alemanha. "Sem ela", se quiserem construir muros contra pessoas que precisam de ajuda. Isso soa, realmente, como um voto de confiança extraparlamentar da CDU. Angela Merkel coloca em risco seu cargo, seu poder e sua popularidade. Há dez anos, ela é chanceler federal. Ela não precisa mais de tudo isso: o cargo, o partido e os sabichões adicionais que, no entanto, não poderiam formular nenhuma ideia de como teriam feito diferente, se tivessem sido eles os indagados naquela noite. "Sem alternativa" – chavão de Merkel durante a crise financeira – teria combinado com essa situação. Mas não teria combinado com a recém-descoberta imagem emotiva da chanceler federal.

A verdade é que nem os gestos nem o tom foram emotivos, nem mesmo para os padrões alemães sóbrios, embora as palavras o tenham sido. A sequência da frase citada acima ainda é mais traiçoeira: "Nesse ponto eu acredito que, por um lado, esse impulso foi o correto..." Essa é a confissão de que não é possível sempre pensar nas consequências. Às vezes é preciso seguir os impulsos. A impressão pode iludir, mas inseguros estão aqueles que, no país e no exterior, até pouco tempo atrás reclamavam do estado farto e imóvel da sociedade alemã e da falta de disposição da chanceler federal para liderar. Quem acredita que conhece o estilo político de Merkel teme agora mais moral do que razão, mais ação a partir da situação do que um plano esmerado, decisões rápidas em vez de consultas extensivas, mais intuição do que cabeça.

O comportamento da chanceler federal não é extraordinário, mas a situação é. A frase sobre o impulso vai adiante: "Olhando por outro lado, como posso voltar a fazer as coisas para que nossos interesses de segurança sejam defendidos?" Os controles de fronteira estão aí novamente. E, desde quinta-feira sabemos que o governo federal está trabalhando em uma legislação mais dura para migrantes, como jamais existiu na Alemanha. O chefe do Departamento Federal de Migração e Refugiados foi trocado. O ministro do Interior parece estar com os dias contados. Angela Merkel continua firme e os chefes de Estado e governo da União Europeia poderão presenciar isso na cúpula especial em Bruxelas.

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