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Mundo

Opinião: A França sob a sombra da extrema direita

O partido nacionalista Frente Nacional venceu o primeiro turno das eleições regionais. A fórmula política de Marine Le Pen é perigosa – e não somente para os franceses, opina Barbara Wesel.

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Barbara Wesel é correspondente da DW em Bruxelas

Conquistar o primeiro lugar no primeiro turno das eleições regionais da França foi um golpe de mestre de Marine Le Pen, líder da legenda de extrema direita Frente Nacional (FN). O partido soube capitalizar o ressentimento dos eleitores, usando uma retórica que se movimentou no limite do juridicamente tolerável, erguendo bandeiras francesas em abundância e reivindicando o manto do verdadeiro patriotismo.

Devemos sempre ter cuidado com comparações históricas, mas, ao olharmos para o passado da própria Alemanha, os resultados eleitorais na França dão um nó no estômago. A Frente Nacional e os nacionalistas liderados por Jaroslaw Kaczynski, que recentemente chegou ao poder na Polônia, são perigosos de uma forma semelhante aos fascistas alemães da década de 1930? Provavelmente não, mas eles potencialmente poderiam vir a ser.

O padrão é bastante similar. A exclusão de um grupo social e o apelo à xenofobia e ao nacionalismo. Na França, muçulmanos se tornaram um notável perigo à identidade de "verdadeiros franceses" e precisam ser combatidos. Até então, semelhante o suficiente. Não devemos ser enganados por Le Pen: ela não é uma democrata e seu partido não é inofensivo. E seu único objetivo é o poder na França.

De um ponto de vista, pode-se compreender os eleitores franceses. Os socialistas e os republicanos de centro-direita, partidos que têm sido bastiões políticos no passado, estão agora distantes da população e perderam credibilidade após uma série aparentemente interminável de escândalos. Há uma real necessidade por mudança, que foi reforçada pela incapacidade do presidente francês, François Hollande, de alavancar a economia e manter o desemprego sob controle.

A grande proporção dos eleitores de Le Pen vem da classe mais baixa da França. No entanto, o programa econômico da Frente Nacional é totalmente sem sentido. A proposta de fechar as fronteiras com os países vizinhos e deixar a União Europeia (UE) não vão gerar um impulso econômico.

Uma França que se exclui e se apega às noções de ideias de outrora sobre identidade nacional não atrairá investidores e nem ascenderá ao status de potência exportadora. E os agricultores franceses entrariam em choque quando os subsídios distribuídos por Bruxelas repentinamente desaparecessem, depois de décadas. A FN não aumentará os já amplos benefícios sociais e nem vai – numa estrutura econômica fossilizada – criar novos postos de trabalho para todos os franceses.

Enquanto isso, o amigo de Le Pen Vladimir Putin não será capaz de ajudar. E uma França controlada pela extrema direita não seria muito bem-vinda na União Europeia. Alemanha e alguns de seus vizinhos, por fim, teriam de recuar e se tornar um núcleo europeu minimizado.

Le Pen possui um objetivo, e esse é o Palácio do Eliseu. Mas a estrada é longa, e em 2017 um candidato de centro-direita mais unificador deve ser capaz de impedir que Le Pen assuma a presidência do país.

Porém, o resultado das eleições deste domingo (06/12) é um tiro de advertência. Os franceses se tornaram suscetíveis à tentação pela extrema direita e não reconheceram as conseqüências de suas ações. Eles parecem estar seduzidos pela contrariedade transgressora da própria Frente Nacional.

E, no topo de tudo isso, a ideia de uma utopia também pode ser um fator – um futuro dourado muito parecido com o passado, quando os homens eram orgulhosos, as mulheres eram lindas, e todos estavam ricos. Por esta razão a Marseillaise é cantada e bandeiras tricolores em vermelho, branco e azul tremulam no vento. É um jardim idílico de sonho para o qual muitos cidadãos estão correndo, fugindo da pressão da modernidade.

Partidos como a Frente Nacional despertam tais emoções, e brincam com elas. Claro, nós já estivemos neste ponto antes, e é bastante angustiante. Devemos esperar que nos próximos 18 meses os franceses se lembrem que eles são, de fato, uma nação racional.

A jornalista Barbara Wesel é correspondente da DW em Bruxelas.

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