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Mundo

Opinião: A Europa à espera de Merkel

UE colocou em prática muitas iniciativas corretas para ajudar refugiados. Mas, com sua política migratória, chanceler alemã aprofundou os conflitos internos no bloco, opina o jornalista da DW Christoph Hasselbach.

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Christoph Hasselbach é jornalista da DW

Angela Merkel está praticamente sozinha na política de refugiados na Europa. Quem acredita, como ela, que não deve haver limite para o acolhimento de migrantes, terá, na condição de chefe de governo, um problema – especialmente ao pensar que outros países europeus deveriam ver a questão de mesma maneira.

É por isso que, até então, o plano de Merkel de distribuir os refugiados equitativamente na União Europeia (UE) falhou categoricamente. Pois seus parceiros europeus enxergam a questão desta forma: por que devemos pagar por isto, se é Merkel quem envia os convites para o mundo?

As reações de populistas de direita como Marine Le Pen (líder da Frente Nacional, na França) ou Viktor Orban (primeiro-ministro da Hungria) nem devem ter incomodado Merkel tanto assim. Muito mais pesaram os comentários do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Em alusão a Merkel, o cauteloso e pensativo político polonês disse que a onda de refugiados foi "demasiadamente grande para não ser interrompida". A tentativa de impor a todos os países da UE quotas de admissão de refugiados, segundo Tusk, assemelha-se a "coerção política".

Alguns políticos alemães ficaram indignados e afirmaram que o presidente do Conselho Europeu tinha excedido sua autoridade e que ele deveria incentivar a busca por um consenso. Mas o tiro saiu pela culatra, pois Tusk sabia que uma grande maioria dos governos da UE está com dele. A marginalizada nesta questão é Merkel.

Críticas claras ao curso de Merkel têm se amontoando no fim deste ano, até mesmo por parte de pessoas que apoiaram a chanceler federal alemã em outros temas. O premiê democrata cristão da Holanda, Mark Rutte, disse recentemente: "Como sabemos desde o Império Romano, grandes impérios caem quando suas fronteiras não são bem protegidas."

Até mesmo o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, notório por sua lealdade a Merkel, comparou a imigração descontrolada com uma "avalanche", que poderia ser desencadeada por "um esquiador descuidado".

Em princípio, Merkel manteve sua linha. Desta forma, sem querer, ela aprofundou os conflitos internos na Europa. Em diversos países, partidos de direita ganham terreno em eleições. A área de trânsito livre de Schengen é cada vez mais questionada. E um grave efeito colateral está se desenvolvendo no Reino Unido, onde um referendo sobre a permanência na UE deve ser realizado até 2017.

Lá a tendência está inclinada à saída do bloco europeu – um resultado direto da imigração descontrolada à União Europeia. É bem verdade que o Reino Unido poderia se retirar de qualquer sistema de distribuição de refugiados e também não faz parte do Espaço Schengen, mas o cálculo britânico é o seguinte: se a Alemanha naturalizar em poucos anos milhões de refugiados, eles teriam o direito de se instalarem no Reino Unido devido à liberdade de circulação dentro da UE.

A UE colocou em prática muitas iniciativas corretas na política de refugiados: combater causas de fuga; ajudar os países em torno da Síria; permitir uma migração laboral limitada. Mas mesmo que tudo isso traga um resultado – e não devemos ter tamanhas esperanças – não há caminho que no fim não passe por uma fragmentação da Europa.

A União Europeia não pode se amparar exclusivamente na Turquia, para que ela mantenha os refugiados longe da Europa. Esta desagradável tarefa tem que ser gerenciada, principalmente, pela própria UE.

A grande questão em 2016 será a proteção das fronteiras externas da UE. Se isso não acontecer, como alerta o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, "falha não só Schengen, mas a Europa". Há anos, Merkel disse o mesmo se referindo ao euro. A frase se aplica ainda mais à questão da crise migratória.

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