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Mundo

Opinião: A era Berlusconi ainda não está encerrada

Apesar de todas as derrotas e da cassação, um retorno do "Cavaliere", de 77 anos, à arena política não está fora de cogitação. Parte dos italianos o acolheria de braços abertos, opina o analista Bernd Riegert.

Deutsche Welle Bernd Riegert

Redator da DW Bernd Riegert

Após debates acalorados, o Senado italiano finalmente impôs a Silvio Berlusconi o castigo merecido: pela primeira vez em quase 20 anos ele se encontra sem mandato parlamentar nem cargo governamental. Sem imunidade – politicamente nu, por assim dizer.

Com o auxílio de seus ainda fiéis adeptos, o morto-vivo político de 77 anos tenta, no último momento, ainda se elevar à categoria de mártir. Inutilmente. Para fazer um pedido de clemência, ele era orgulhoso demais. O presidente Giorgio Napolitano, cuja opinião sobre Berlusconi é bem baixa, teria, de qualquer modo, recusado. Igualmente fracassou uma última tentativa de sabotar o governo de coalizão do premiê, o social-democrata Enrico Letta. Todos os esforços de chantagem de Berlusconi não deram resultado, além de gerarem um racha na facção conservadora.

Silvio Berlusconi voltou a fundar o seu Força Itália. Com esse partido, de nome inspirado no grito de guerra dos torcedores de futebol, ele pretende retornar ao poder. Seu discípulo político, o ministro do Interior Angelino Alfano, distanciou-se dele, permanecendo no governo Letta juntamente com uma pequena tropa de ex-berlusconianos. Com isso o velho manipulador não contava.

Europa aliviada, Itália dividida

Fora da Itália, ninguém na Europa, muito menos algum chefe de governo, vai derramar uma lágrima que seja pelo populista cassado. Em seus últimos anos de governo, ele se tornara imprevisível e escandaloso demais. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o então presidente francês, Nicolas Sarkozy, também contribuíram para que, em novembro de 2011 ele fosse removido do cargo de primeiro-ministro da Itália, ainda que sob protestos. Afinal, no processo de resgate da zona do euro, ele não passava de uma pedra no sapato.

No entanto, a era Berlusconi ainda não está definitivamente encerrada.

Um bilionário como ele, que reina sobre um intrincado império de firmas e meios de comunicação influentes, certamente tramará vingança e um retorno à arena política. E a possibilidade não está inteiramente fora de cogitação. Caso o governo Letta no próximo ano tropece no curso da política econômica, Berlusconi poderá voltar, em eventuais eleições antecipadas, amparado por seu Força Itália, como parte de uma coalizão de direita.

A interdição de exercer cargos políticos, devido à condenação por fraude fiscal, vigora por prazo limitado. Assim, ele só precisa ter paciência e torcer para não ser sentenciado por outros delitos. Segundo pesquisas de opinião, o potencial eleitoral de Berlusconi ainda estaria por volta de 20%, apesar de todos os escândalos envolvendo sexo, dinheiro e suborno. O bilionário self-made conta com muitos admiradores entre os pequenos empresários. E o fato de ele se apresentar como machão e insultar juízes e advogados de "talibãs" e "comunistas" não o prejudica junto a seus apoiadores. Pelo contrário.

Para um observador externo, talvez o espetáculo em Roma pareça ridículo, até absurdo. Ele também reflete o status quo da sociedade italiana: desestabilizada pela crise econômica, apaixonada pelas encenações políticas dramáticas, e profundamente cética diante dos conselhos e receitas de seus parceiros europeus. Não se esqueça que não apenas Berlusconi, mas quase todos os demais partidos com teses críticas à União Europeia levantaram a voz contra a política de austeridade. Mario Monti é a exceção.

De Don Juan a noivo submisso

O drama entra agora no próximo round. Em terceira e última instância, os tribunais da Itália decidem no início de 2014 se Silvio Berlusconi deve ser preso por sete anos, por ter tido relações sexuais com uma prostituta menor de idade. O "bunga bunga", ou seja, as festinhas sexuais em sua vila em Milão, podem ser o golpe de misericórdia na carreira do político.

Antes, o então bem-sucedido líder contava, entre seus amigos, homens como Tony Blair ou Vladimir Putin. Aí, ele deixou passar a momento certo para uma retirada digna. Hoje, provavelmente vale o que sua ex-mulher Victoria Lario comentou certa vez: "Ele é doente, de algum jeito." Com suas novas fofocas, a imprensa marrom italiana quase provoca pena do "Cavaliere": consta que ele agora é completamente submisso a sua atual noiva, uma show girl de TV de Nápoles, de 28 anos, que o proibiu até de frequentar festas.

Cômica e ao mesmo tempo trágica: assim é a Itália que nós amamos.

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