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Mundo

Opinião: A complicada situação de Tsipras

Premiê só conseguiu aprovar o pacote de reformas com a ajuda da oposição. Seu partido está dividido. Aplicar assim as medidas exigidas parece quase impossível, opina Spiros Moskovou, chefe da redação grega da DW.

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Spiros Moskovou, chefe da redação grega da DW

O desencanto do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, com a responsabilidade governamental acaba de se tornar completo. Ao longo de cinco meses, ele tentou impressionar a União Europeia evocando a democracia e a dignidade, em vez de desenvolvendo planos convincentes. Nisso, fracassou.

No último fim de semana, o político esquerdista foi forçado a aceitar uma série de imposições dos credores internacionais, para que a Grécia sobreviva. E na noite de quarta-feira (15/07), viu uma grande parte de seu partido – nada menos que 39 ministros e deputados – se recusar a acompanhá-lo no caminho do pragmatismo. Uma ala considerável do Syriza segue aferrada a um populismo retrógrado.

As primeiras medidas de reforma e austeridade das instituições internacionais foram aprovadas graças à oposição pró-europeia – ou seja, com o apoio da "troica interna", que é como a esquerda mais radical trata o conservador Nova Democracia, o social-democrata Pasok e o liberal de esquerda Potami.

Agora o premiê depende desses supostos inimigos internos para que se firme o acordo com as instituições, que ainda não foi elaborado. Sozinhos, os deputados favoráveis do Syriza e os do parceiro de coalizão minoritário, o Gregos Independentes, não alcançam mais o mínimo necessário de 150 votos no Parlamento.

À primeira vista, se poderia dizer que há um consenso nacional amplo pela permanência da Grécia na zona do euro e pela reforma estrutural do país. Contudo, esse consenso é um perigoso campo minado. No momento, as legendas oposicionistas contribuem para o resgate do país, mas observam, seguras de si, quão necessárias são para fazer passar no Parlamento o primeiro "memorando esquerdista".

Ao mesmo tempo, os oposicionistas não estão dispostos a participar de uma coalizão governamental com o Syriza, em qualquer forma que seja. Este, por sua vez, parece estar definitivamente dividido em ideólogos e realistas, depois do terremoto da última votação. A reformulação do gabinete, com a exclusão dos que querem a volta da dracma, no lugar do euro, só abrandará temporariamente as turbulências.

É certo que já está praticamente assegurado o terceiro pacote de resgate financeiro para a Grécia. Assim o país estará inicialmente a salvo do colapso total. Mas quem vai implementar as medidas de austeridade e reforma? A metade do Syriza – que no momento pranteia a traição forçada de suas fantasias esquerdistas –, ou os antigos partidos governistas – que não foram especialmente bem sucedidos ao implementar os primeiros dois pacotes de resgate?

A aplicação das medidas impostas pressupõe um consenso de atuação e de criatividade que é simplesmente inexistente na Grécia, hoje. Há cinco anos se observa quão inadequado o sistema político grego é para enfrentar uma crise nacional. Fincar pé e, em caso extremo, reciclar – é a fórmula consagrada. Também Tsipras vai primeiro fincar pé, e depois convocar eleições antecipadas. Espera-se que não seja já no próximo trimestre.

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