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Migração

Opinião: A árdua tarefa da integração

As boas-vindas dadas a refugiados na Alemanha repercutiram mundo afora. Mas o país está agora diante do desafio da integração, que exige esforços tanto do Estado como dos cidadãos recém-chegados, opina Verica Spasovska.

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Verica Spasovska é a chefe da redação de notícias da DW

Há semanas, nos alegramos com imagens que mostram alemães recebendo amigavelmente refugiados exaustos, mas repletos de esperanças em estações ferroviárias de todo o país. Incansavelmente, voluntários distribuem água, alimentos e roupas. São gestos de humanidade, pelos quais a Alemanha vem obtendo merecido reconhecimento internacional.

Entretanto, a alegria diante dessa maravilhosa cultura de boas-vindas não pode ofuscar o fato de que a Alemanha está perante uma tarefa herculana: a integração dessas pessoas. A maioria vem de culturas completamente diferentes, de países islâmicos como Síria, Iraque ou Afeganistão. E essas pessoas provavelmente permanecerão na Alemanha, porque a pacificação de seus países de origem deve levar anos ou até décadas.

A tarefa de integrá-los não deve ser subestimada, como foi o caso há 30 anos, quando milhões de trabalhadores do sudeste da Europa migraram para a Alemanha. Naquela época, o lema era: "Estes são apenas hóspedes temporários." Consequentemente, não foram tomadas medidas suficientes para a integração.

A maioria daqueles trabalhadores imigrantes acabou ficando no país – muitos deles bem integrados. Porém, justamente nas gerações subsequentes de turcos se criaram, em parte, sociedades paralelas, que até hoje não querem ter nada a ver com os regulamentos da sociedade alemã.

Para evitar a repetição desse erro, crianças e adolescentes devem ser colocados o mais rápido possível em creches e escolas. Eles precisam, assim como os pais, aprender alemão. E precisam estar cientes de que as práticas culturais na Alemanha são diferentes daquelas em parte da sociedade de seus países de origem.

Homens e mulheres têm direitos iguais, por exemplo. Ninguém pode negar que a própria filha se case com um homem pertencente a uma religião diferente. Quem tentar impedir isso com violência corre o risco de ir à cadeia. A Constituição da Alemanha é o fundamento decisivo da nossa sociedade, e não um livro religioso como o Alcorão.

A homossexualidade é socialmente reconhecida, e ninguém será preso por isso na Alemanha, como prevê a lei em muitos países do Oriente Médio. Não se pode bater em crianças, e a escolaridade obrigatória, o que deve ser respeitado.

Os refugiados precisam estar familiarizados com os elementos centrais da política alemã o mais rápido possível. Devido ao seu passado, a Alemanha tem uma relação especial com Israel e os Estados Unidos, o que será algo novo para muitos imigrantes do mundo árabe.

O fato de que a maioria dos refugiados vem de países islâmicos não é necessariamente um obstáculo à sua integração na sociedade alemã. Pois há no passado exemplos positivos de como centenas de milhares de muçulmanos foram facilmente integrados à Alemanha: durante a guerra da ex-Iugoslávia, na década de 1990, quase 400 mil refugiados bósnios vieram à Alemanha – sendo a grande maioria muçulmanos.

A característica desses muçulmanos é que eles seguem um islã europeu mais moderado, que há séculos constrói uma ponte entre a Europa e o Oriente Médio. Se for possível estabelecer um islã europeu com base na Constituição alemã, a atual onda de refugiados pode ser uma grande oportunidade para a Alemanha.

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