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9 de novembro de 1989

Opinião: 9 de novembro de 1989, um dia inesquecível

Momento que mudou, em poucas horas, a vida de todo um continente, a queda do Muro completou a revolução pacífica dos alemães orientais e pôs a Alemanha no centro da Europa, opina Alexander Kudascheff, editor-chefe da DW.

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Alexander Kudascheff, editor-chefe da DW

O 9 de novembro de 1989 foi um momento mágico. Desde a formulação infeliz e burocrática no início da noite, de que liberdade de viajar começava a "vigorar imediatamente", até a queda do Muro de Berlim naquela noite e madrugada adentro. Em poucas horas, a vida de alemães e europeus se transformou. A história aconteceu. A República Democrática Alemã (RDA), a Alemanha Oriental, sob governo comunista, implodia sob a pressão das manifestações e dos fugitivos. A queda do Muro foi o fim da RDA – mesmo que a unidade da Alemanha só tenha virado realidade cerca de um ano mais tarde. Uma RDA sem muros e arame farpado, que deixava seus cidadãos viajarem livremente, não tinha mais sentido algum em existir – a não ser por sua ligação com o bloco do Leste e com o Pacto de Varsóvia.

Mas a União Soviética, liderada pelo reformista Gorbachev, renunciou ao uso da violência – assim como o regime comunista em Berlim Oriental. A "solução chinesa", como o massacre na Praça da Paz Celestial, em Pequim, foi descartada. Em 9 de novembro de 1989, o movimento pela liberdade não foi mais brutalmente esmagado como em 1953 na Alemanha Oriental, em 1956 na Hungria, em 1968 na Tchecoslováquia. A queda do Muro completou a revolução pacífica dos alemães orientais.

O 9 de novembro foi um dia, uma noite de alegria, lágrimas. Mexeu emocionalmente com os alemães. Trouxe à tona sentimentos esquecidos e reprimidos, o desejo de unidade de ambos os lados, o desejo de liberdade no leste. Foi como um transe que tomou conta dos alemães e de Berlim. Uma sensação de felicidade que nos atordoou a todos. Um dia, uma noite de sentimentos indescritíveis que deixaram claro que mesmo uma divisão de 40 anos não havia quebrado o sentimento de que éramos um só povo – o que, aliás, não surpreendeu a maioria de nós. E foi quando se criou a frase atemporal de Willy Brandt "agora cresce junto o que foi criado para estar junto". Uma convergência que não se dirigia contra ninguém – e, sobretudo, não se dirigia contra os vizinhos. A revolução pacífica ancorou a Alemanha no centro da Europa.

A revolta dos alemães orientais era dirigida contra a ditadura comunista, contra o "Estado de custódia" que tudo controlava, como descreveu um livro banido na Alemanha Oriental naquela época, mas que foi muito lido no país. Era uma revolta por um país aberto, onde as pessoas não mais fossem cercadas. Por isso, o apelo pela liberdade de viajar era tão central. O apelo por menos governo não era tão forte. E por isso é uma das ironias da história que o desejo dos alemães no leste e no oeste por um "Estado forte e solidário" faça parte do DNA político comum da Alemanha reunificada. A revolta "contra o Estado" foi uma rebelião contra "os lá em cima", mas não uma rebelião por uma sociedade aberta.

A Alemanha tornou-se, após o 9 de novembro, mais protestante, mais oriental e ideologicamente mais suave, menos ideologicamente controversa – pode-se dizer até que se tornou mais à esquerda. E ela é representada e governada por dois alemães orientais: o presidente Joachim Gauck e a chanceler federal Angela Merkel. Em ambos é possível notar as influências de suas experiências na e com a Alemanha Oriental. E às vezes isso também é criticado. Mas ainda é, mesmo assim, parte da vida política normal, que não separa realmente leste e oeste. A unidade interior está mais desenvolvida do que muitos pensam. E ela começou na felicidade comum do 9 de novembro de 1989.

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