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Mundo

Opinião: É perigoso deixar a Ucrânia entregue à própria sorte

Como mostram os desdobramentos em Kiev, o país dificilmente encontrará sozinho uma saída para a atual crise. UE e Rússia precisam se empenhar para evitar guerra civil, opina Ingo Mannteufel, chefe da redação russa da DW.

Ingo Mannteufel

Ingo Mannteufel, chefe da redação russa da DW

A

morte

de manifestantes em Kiev é o triste clímax provisório dos meses de confrontações entre os ativistas da chamada "Euromaidan" (apelido dado à Praça da Independência da capital ucraniana por causa dos protestos pró-aproximação do país com a União Europeia) e as forças de segurança do presidente Viktor Yanukovytch. As batalhas de rua estão agora a pleno vapor na capital.

Já no fim da semana passada, havia temores de que as altercações poderiam se intensificar ou até piorar. Yanukovytch enveredou claramente por um caminho rumo a uma escalada do conflito ao decretar as novas leis que restringem consideravelmente o direito a manifestações e a outras medidas de protesto.

No início do novo ano, em vez de se dispor a um diálogo sério com os líderes oposicionistas moderados, com a surpreendente promulgação das leis repressivas, o presidente praticamente declarou guerra aos ucranianos que há meses protestam contra seu governo. O resultado foi um racha no movimento anti-Yanukovytch: ativistas mais radicais e dispostos à violência acusaram líderes oposicionistas como o ex-campeão de boxe

Vitali Klitschko

de adotarem uma estratégia equivocada, e convocaram a ações violentas contra o poder estatal.

A Ucrânia chegou à beira de uma guerra civil. Este é o resultado da radicalização dos manifestantes e da estratégia de agravamento de Yanukovytch. Os protestos começaram pacificamente em novembro de 2013, depois que o chefe de Estado se recusou a assinar um

acordo de associação

com a União Europeia.

Meses depois, não se trata mais apenas da aproximação entre o país e a comunidade europeia. A questão é, fundamentalmente, a manutenção do domínio de Yanukovytch, que demonstrou sua inaptidão para a democracia através da nova legislação repressiva e do procedimento brutal das forças de segurança. Por isso, esperar até as eleições presidenciais no primeiro semestre de 2015 não é solução para o atual conflito.

Uma política que aposte em deixar a Ucrânia entregue à própria sorte, resolvendo sozinha os próprios problemas, constitui um enorme perigo. O presidente e os líderes da oposição – enquanto estes últimos ainda podem falar por todos os manifestantes – se entregam a acusações recíprocas e dificilmente alcançarão uma solução sem ajuda externa.

Portanto, se a intenção é evitar um alastramento da violência capaz de levar a Ucrânia a um estado de guerra civil, está na hora de a UE e a Rússia agirem em conjunto.

Esse não é um empreendimento fácil, considerando-se a complexidade de interesses nacionais, a falta de uma meta clara na política europeia em relação à Ucrânia e a mentalidade de "jogo de soma zero", predominante sobretudo na Rússia.

O exemplo da Síria mostrou de forma terrível até onde pode levar a inatividade da comunidade internacional, devido às suas diferenças. Mas o caso sírio também provou, justamente, que tanto a pressão ocidental – e está na hora de a UE finalmente ameaçar o regime Yanukovytch com sanções – quanto uma política pragmática em relação a Moscou podem levar a uma solução política.

A Ucrânia descambar para um estado de guerra civil não é do interesse nem da Rússia nem do Ocidente. É nesse ponto que os esforços da UE em relação a Moscou devem ser retomados. Na Conferência Internacional para a Síria, em Montreux, e no encontro da elite global em Davos, deverá haver oportunidades suficientes para evitar demais escaladas de violência na Ucrânia.

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