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Mundo

Opinião: É indispensável rigor ao lidar com Putin

Presidente russo isola-se cada vez mais, o que poderia deixá-lo ainda mais agressivo. A União Europeia precisa perseverar nas sanções a Moscou, opina o jornalista da DW Christoph Hasselbach.

Christoph Hasselbach

Christoph Hasselbach, da Deutsche Welle

Ao que tudo indica, o cálculo do presidente da Rússia, Vladimir Putin, foi duplamente equivocado. Seu isolamento internacional depois da anexação da Crimeia não se limitou ao grupo das oito principais potências industriais, o G8, do qual ele já foi excluído. Também no mais amplo G20, ele é o forasteiro, o estraga-prazer.

Agora, as sanções da União Europeia (UE) não são mais o único motivo de preocupação para a economia russa, mas também a queda dos preços do petróleo. O curso do rublo despenca, há carência de investimentos estrangeiros. E se o padrão de vida na Rússia cair a longo prazo, pode ser que, em breve, a população acabe retirando seu respaldo.

É possível que Putin tenha contado com um certo grau de pressão internacional, em reação a sua política imperialista. Mas provavelmente subestimou a capacidade dos aliados ocidentais de manterem suas sanções por tanto tempo – apesar de, também eles, estarem sofrendo as consequências.

Neste fim de semana, Putin abandonou prematuramente Brisbane, palco da conferência de cúpula do G20, por supostamente precisar do sono até o início do trabalho na segunda-feira. Descansado, quem sabe ele se pergunte, depois de tudo o que aconteceu nos últimos meses: valeu a pena?

Infelizmente a confrontação com a Rússia não se resolve com uma possível constatação de Putin, após reflexão sóbria, de que os custos de sua política foram muito mais altos do que os lucros. Pelo contrário: encurralado, ele poderá se tornar ainda mais agressivo.

O que está em jogo são questões de prestígio, de orgulho nacional ofendido, de salvar a própria cara. De certo modo, confrontamo-nos também com um caso de "aprendiz de feiticeiro", que não consegue se livrar dos espíritos que ele mesmo conjurou. Seja como for, todas essas considerações não podem ser motivo para a UE tolerar violações do direito internacional e violência.

Há gente na UE pressionando por um fim breve das sanções: essas pessoas estariam prontas a admitir à Rússia uma esfera de influência própria. Depois disso, todos os Estados nessa zona só teriam soberania limitada, não poderiam escolher livremente de que alianças participariam. Justificando tais concessões, tem-se abusado bastante do conceito de Realpolitik. Na realidade, isso seria a liquidação dos valores democráticos, seria um atestado de falência do Ocidente.

Em discurso em Sydney, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, definiu, com explicitude incomum, o que está em jogo para ela. Embora seja alguém que evita toda palavra impensada e que também buscou o diálogo com Putin em Brisbane, enquanto ex-cidadã da comunista Alemanha Oriental ela sabe o que significa viver numa zona de influência russa.

Ela teme que, caso consiga escapar com anexação, fornecimento de armas e desestabilização na Ucrânia, a Rússia vá fazer o mesmo na Geórgia e na Moldávia. Nem mesmo na Sérvia e nos Bálcãs Ocidentais – zona rodeada por países da EU –, ela descarta uma política de interesses russa direcionada, que minaria a aproximação da região com o bloco europeu.

Até o momento, nenhum dos chefes de Estado e governo dos países fundadores da UE fora tão longe assim. É injusto, mas o fato é que, se fosse o presidente de um dos Países Bálticos a fazer tais declarações, logo ele seria acusado de paranoia e alarmismo. Ao que parece, atualmente, no que tange a Putin, até mesmo Merkel espera o pior.

Com seu discurso, a chefe de governo pretendia igualmente fortalecer a coesão europeia. Pois ela sabe que Putin procura criar um cisma. Foi muito difícil fazer valer na UE as sanções econômicas abrangentes contra Moscou. Quanto mais tempo o conflito dura, mais difícil será manter o apoio às medidas.

Entretanto, o que está em jogo é nada menos do que a defesa de uma ordem pacífica segundo os preceitos do Estado de direito, em que as fronteiras não sejam simplesmente deslocadas com violência.

Para o Ocidente, está vedada uma intervenção militar na Ucrânia: as sanções são o recurso mais contundente de que ele dispõe. Mas elas só funcionam a longo prazo. Portanto, é preciso paciência. Ao mesmo tempo, a UE precisa manter a mão estendida à conciliação. A própria Rússia é quem define quanto tempo as sanções durarão.

Mas a UE também precisa deixar claro a alguns políticos ucranianos que o apoio europeu não é um cheque em branco. A frase do presidente ucraniano, Petro Poroshenko, ao jornal alemão Bild – "Nós nos preparamos para o cenário da guerra total" – é imbatível em termos de leviandade. Ela oferece o maior flanco de ataque que Putin poderia ter desejado.

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