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Mundo

Operação policial na Turquia prende dezenas do opositores do presidente

Entre os detidos há executivos, jornalistas e ex-chefes de polícia, acusados por Erdogan de formar conspiração terrorista para tirá-lo do poder. Maioria é ligada a Fethullah Gülen, antigo desafeto do presidente.

A polícia turca realizou neste domingo (14/12) uma grande operação que teve como alvo jornalistas e supostos críticos do governo do presidente Recep Tayyip Erdogan. Entre os 24 detidos em todo o país estão alto executivos e ex-chefes de polícia, considerados por Erdogan integrantes de uma conspiração terrorista para tirá-lo do poder.

Veículos de imprensa como o jornal Zaman e o canal Samanyolu, ligados ao líder islâmico e opositor do presidente turco Fethullah Gülen, foram invadidos. Gülen e Erdogan estão em clima de guerra desde que foi iniciada uma investigação de corrupção envolvendo pessoas próximas ao governante turco, há um ano.

Erdogan acusa Gülen de ter influência em tribunais, na polícia e na mídia, formando uma "estrutura paralela" a fim de derrubar o governo turco. Exilado nos Estados Unidos desde 1999, o opositor nega as acusações.

Protestos na porta de jornal

Entre os presos está Ekrem Dumanli, editor-chefe do Zaman. Manifestantes tentaram impedir os policiais de levá-lo na manhã deste domingo e fizeram um protesto em frente ao prédio do jornal, sob os gritos "a imprensa não pode ser silenciada". Os agentes voltaram à tarde e acabaram levando o jornalista, sob acusação de que ele estaria ajudando a criar uma "rede organizada" com o intuito de acabar com a soberania turca.

Ekrem Dumanli

Editor-chefe do 'Zaman', Ekrem Dumanli, protesta em frente ao prédio da redação, antes de ser levado por policiais

Segundo o canal NTV, 32 mandados de prisão foram expedidos, sendo que 24 foram cumpridos. Também foram detidos dois ex-chefes de polícia, produtores de programas do Samanyolu, além do presidente do grupo do canal de televisão, Hidayet Karaca.

"Isso é algo vergonhoso para a Turquia. Infelizmente, em pleno século 21, esse é o tratamento dispensado a um grupo com dezenas de canais de televisão e rádio, revistas e sites na internet", lamentou Karaca, pouco antes de ser levado pelos policiais.

A organização de direitos humanos Human Rights Watch criticou duramente as prisões. Kemal Kilicdaroglu, líder do Partido Republicano do Povo (CHP), principal oposição na Turquia, classificou as operações policiais como "parte de um processo de golpe contra a democracia".

Operação pré-anunciada

Ainda na sexta-feira, o presidente da Associação de Jornalistas Progressistas da Turquia, Ahmet Abakay, afirmara temer a detenção de dezenas de profissionais após a divulgação nas redes sociais de uma suposta operação policial de grande escala.

Na quinta-feira, centenas de manifestantes reuniram-se em frente ao edifício onde está instalada a Direção de Segurança de Istambul e também a sede do Zaman. A mensagem difundida pelo Twitter alertava sobre uma operação policial de grande escala contra cerca de 400 pessoas.

Reação internacional

A União Europeia (UE) condenou as prisões, consideradas contrárias "aos valores europeus"."A operação policial e a prisão de vários jornalistas e representantes da mídia na Turquia hoje são incompatíveis com a liberdade dos meios de comunicação, que é um princípio essencial da democracia", afirmaram a alta representante para a política externa e segurança da UE, Federica Mogherini, e o comissário para a Política de Vizinhança, Johannes Hahn.

Os EUA também repudiaram a operação policial turca e pediram ao país para respeitar os "valores fundamentais" da liberdade de imprensa. "Como amigos e aliados da Turquia pedimos as autoridades turcas que garantam que as ações não violem esses valores fundamentais e os próprios fundamentos democráticos da Turquia", afirmou um porta-voz de Washington.

O Departamento de Estado americano disse ainda que está acompanhando de perto as ações da polícia no país.

MSB/rtr/dpa/lusa

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