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Mundo

Opaq monta "operação de guerra" para destruir arsenal químico sírio

Do transporte por território sírio, passando pelo embarque e desembarque, à destruição em alto mar, o processo de eliminação de armas químicas sírias é delicado, e conta com a participação de sete países.

A poucas milhas marítimas do Chipre, desde meados de dezembro dois navios cargueiros e duas fragatas realizam manobras conjuntas e treinam formações. A operação confirma que tanto os navios de guerra Esbern Snare e Helge Ingstad, como os cargueiros Taiko e Ark Futura têm uma missão e estão se preparando para ela.

A tarefa das quatro embarcações da Noruega e Dinamarca é delicada. Elas vão transportar, nas próximas semanas, as armas químicas da Síria – no momento, em guerra civil – e trazê-las através do Mar Mediterrâneo até a Itália. Seu destino final, contudo, ainda é sigiloso. Em algum porto, as armas deverão ser carregadas no navio especial americano Cape Ray, responsável por destruí-las em alto mar.

Desarmamento em tempos de guerra

A Forças Armadas sírias conseguiram transportar cerca de 1.300 toneladas de armas químicas, de 12 depósitos em várias partes do país até o porto de Latakia. As substâncias, recolhidas na área de conflito, serão eliminadas em alto mar, e os resíduos resultantes, levados para os EUA e entregues a uma empresa especializada no armazenamento de lixo industrial.

"Nunca houve destruição em massa de armas num país em meio a um conflito armado", declarou o porta-voz da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), Michael Luhan, em entrevista à DW. "Tudo isso é novo."

US-Frachter MV Cape Ray

Cargueiro Cape Ray tem papel central na eliminação do arsenal sírio

Para que tudo dê certo, a operação recebe ajuda de várias nações. O Reino Unido vai destruir 150 toneladas de produtos químicos, além de enviar um navio da Marinha real. A Rússia e a China também mobilizaram navios de guerra. Moscou enviou, por avião, alguns caminhões de carga com tração nas quatro rodas, assim como carros blindados, para serem carregados por soldados sírios com as armas químicas, levando-as até Latakia.

Os EUA providenciaram, além do Cape Ray, mais de mil contêineres com localização por satélite, para que seu deslocamento seja monitorado à distância. Para o caso de incidentes no percurso – como vazamento dos produtos químicos ou um acidente –, um time finlandês de descontaminação estará a postos.

Cerca de uma centena de países realizaram doações para um fundo especial da Opaq. A União Europeia contribuiu com 12 milhões de euros. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, a participação do país foi superior a 3 milhões de euros. "Este é realmente um esforço multilateral notável", elogiou Luhan, da Opaq.

Cronograma é flexivel

A Opaq assume a supervisão geral do processo. Inspetores da organização selam os contêineres com os produtos químicos mortais. Após o transporte ao porto de Latakia, eles controlam mais uma vez a vedação e o conteúdo dos recipientes.

De acordo com o cronograma proposto, até 31 de dezembro deverão ser embarcadas 500 toneladas de substâncias; até 5 de fevereiro de 2014, ter sido retiradas da Síria outras 800 toneladas de precursores químicos. Até o final de março serão destruídas as primeiras 500 toneladas, a bordo do navio americano Cape Ray, e, até o final de junho, as demais 800 toneladas.

Symbolbild OPCW Syrien

Segundo analista, processo químico de destruição das armas leva de 45 a 60 dias

De acordo com o especialista belga em armas químicas Jean Pascal Zanders, este cronograma é viável. "O diretor-geral da Opaq sugeriu que poderá eventualmente haver um pequeno atraso de alguns dias, mas não chegará a semanas ou meses", afirmou Zanders à DW. Entre os possíveis fatores para atrasos, está o transporte por estradas sitiadas na Síria, e o próprio processo de destruição das substâncias a bordo.

Segundo o especialista, a neutralização a ser realizada no navio deve durar de 45 a 60 dias – dando-se uma margem de tempo suficiente para a realização do processo. Este precisa se realizar em águas calmas, com ondas não superiores a 15 centímetros de altura. "A segurança dos funcionários que operam as instalações do barco é um fator essencial", reforçou Zanders. Em caso de dúvida, portanto, o cronograma terá que ser adiado.

Mediterrâneo pode ser palco da eliminação

Um mar relativamente calmo é também essencial para o sucesso da missão. Já que as armas químicas serão embarcadas em algum porto italiano, pode ser que o Cape Ray realize a destruição das armas químicas no próprio Mar Mediterrâneo.

"Nos meses do inverno [no Hemisfério Norte] o Mar Mediterrâneo é, naturalmente, um tanto agitado", ressalvou Klaus Mommsen, ex-oficial da Marinha e editor da revista alemã de assuntos marítimos Marineforum, em entrevista à DW. Porém deverá ser sempre possível encontrar um local mais tranquilo, no abrigo das ilhas.

Para ele, o mais perigoso não é a destruição das armas, mas sim os processos de carregamento, descarregamento e apreensão, na própria Síria. Se tudo der certo, esta será a primeira operação militar conjunta de americanos, dinamarqueses, noruegueses, finlandeses, britânicos, russos e chineses no Mar Mediterrâneo.

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