ONU vai proibir utilização de mercúrio em todo o mundo | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 19.02.2009
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Mundo

ONU vai proibir utilização de mercúrio em todo o mundo

Em dois anos o planeta deverá estar livre de um dos metais pesados mais tóxicos. Nova postura dos EUA nos assuntos ambientais foi elogiada. O "Global Green New Deal" faz progressos.

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Novos ares e esperanças em Nairobi

Após longo debate, os ministros do Meio Ambiente dos países-membros da ONU decidiram-se pela proibição global da utilização do mercúrio. A resolução foi aprovada durante a conferência de cúpula que se realiza em Nairobi, de 16 a 20 de fevereiro de 2009, e se ocupa do combate ao aquecimento do clima e da solução dos problemas ambientais, face à crise financeira global.

Em seguida, está previsto um decreto da Organização das Nações Unidas com o fim de banir do mundo, no prazo de dois anos, um dos metais pesados mais tóxicos. Atualmente cresce a concentração do mercúrio no meio ambiente, em especial devido ao aumento do número das usinas de carvão mineral na Ásia.

O ministro alemão do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, elogiou em especial a participação da delegação estadunidense. Nos últimos seis anos, o país vinha bloqueando qualquer avanço na interdição do mercúrio. Gabriel ressaltou quão rapidamente o clima de negociações se modificou desde que Barack Obama assumiu a presidência norte-americana.

"Os EUA estão dispostos a fechar um acordo para proteção do clima já em dezembro, mesmo que sua legislação nacional a respeito ainda não tenha entrado em vigor. Eles também afirmam que nada farão sem a contribuição de grandes países emergentes como a China. Esta posição coincide com a da União Europeia."

Promessa de lucros verdes

Como novo instrumento da política climática, Gabriel anunciou a criação de uma instituição encarregada de garantir que os investimentos em energias renováveis e na utilização energética mais eficiente também fluam para as nações em desenvolvimento. Até o momento, esses investimentos têm se concentrado em países emergentes como a China ou a Índia.

"Ajudaremos Achim Steiner [diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma)] a trazer para Frankfurt um centro de investimentos financeiros na moderna política de energia. [...] É um investimento que apoiamos", declarou.

O ministro alemão ressaltou que procurará conseguir a participação dos bancos alemães na instituição em questão. Ele não crê que haverá resistência da parte do setor debilitado, pois o centro em Frankfurt oferece ótimas possibilidades de lucros.

"Creio ter chegado o tempo em que volta a funcionar aquilo que durante décadas foi o segredo do sucesso alemão, ou seja, o investimento nos mercados reais, na economia real. E que mercado maior há, do que a energia, nas próximas décadas? Por isso, acho que é um bom momento", comentou Sigmar Gabriel.

Global Green New Deal

Kenia Deutschland UN-Klimakonferenz in Nairobi Achim Steiner Regenwasser

Achim Steiner (e), diretor teuto-brasileiro do Pnuma

Mais de mil delegados de 140 nações estão reunidos desde a última segunda-feira (16/02) na capital do Quênia para discutir problemas ambientais urgentes, com vistas a um Global Green New Deal. Como enfatizou Achim Steiner, este "novo acordo" para uma economia global mais verde deverá se concentrar na "eficiência energética, no transporte, mobilidade, produtos de tecnologias renováveis".

O discurso de abertura do diretor do Pnuma teve como lema "De toda crise nasce uma chance", em referências à crise global. Steiner advertiu: não se pode abusar de pacotes conjunturais trilionários para simplesmente se continuar como até então.

"Para quem serão mantidos e criados postos de trabalho? Quais ainda existirão no futuro, para nossos filhos, que afinal de contas, é que pagarão esses enormes pagamentos adiantados?", instou o teuto-brasileiro.

Hora de mudar de rumo

Segundo estudo apresentado no encontro e realizado com a participação do Banco Mundial e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), investimentos maciços em melhorias ecológicas trariam milhões de novos empregos. Um dos autores do documento, o economista norte-americano Edward Barbier, explicitou:

"A atual crise econômica é produto da crise de alimentos, petróleo e finanças no ano passado. Se agora simplesmente reavivarmos a velha economia, talvez recuperaremos alguns empregos, porém as causas da crise permanecerão. Acrescentemos o aquecimento global e a crescente carência de água. Precisamos enfrentar todos esses problemas e, ao mesmo tempo, gerar trabalho: é este o Global Green New Deal."

Barbier sugere que as nações industrializadas invistam pelo menos 1% de seu Produto Interno Bruto em setores verdes da economia. Ele dá o exemplo da Coreia do Sul, que disponibilizou o triplo até mesmo desta soma em seu pacote conjuntural, sobretudo por considerações econômicas. Os EUA também incluíram 100 bilhões de dólares em investimentos verdes, e esperam criar, assim, 2 milhões de novos empregos.

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