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Brasil

ONU vê com receio criação de Fundo Mundial pela Amazônia

Em entrevista exclusiva à DW-WORLD, especialistas da ONU comentam a proposta brasileira de preservação da Floresta Amazônica com suporte financeiro internacional. Um tema controverso.

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Montreal sediará conferência da ONU

Entre os assuntos que serão tratados na Conferência Internacional da ONU sobre Mudanças Climáticas, no Canadá, estão as alternativas de preservação das florestas tropicais. Considerada o pulmão do mundo, a Amazônia preocupa os especialistas.

"Não podemos apontar culpados dos problemas resultantes das alterações no clima." Com esta idéia, o coordenador do SBSTA (Subsidiary Body on Scientific, Technical and Technological Advice), Órgão de Aconselhamento Científico, Técnico e Tecnológico, resume de que forma os participantes da conferência desenvolverão os debates.

Waldrodung in Brasilien

Queimadas são responsáveis por 75% das emissões de gases poluentes no Brasil

Halldor Thorgeirsson explica que esta é a primeira vez que serão analisados dados coletados sobre a emissão de gases causadores do efeito estufa provenientes do desmatamento. "São 20% do total das substâncias que causam o aquecimento global", comenta. "A Amazônia e outras áreas do mundo precisam ser observadas de perto devido a esta questão."

Internacionalização da Amazônia

A discussão sobre a possibilidade de criação de um fundo internacional para a proteção da Amazônia é recente. Segundo Thorgeirsson, esta não seria a forma correta de buscar uma solução para a perda anual de área verde. "O desmatamento tem raízes sociais. Existem pessoas que dependem da derrubada de árvores para sobreviver", argumenta.

"O ideal seria encontrar formas de trabalho que, ao mesmo tempo, preservassem a mata e evitassem a sua redução." De acordo com ele, políticas de incentivo seriam uma alternativa. "Mas, antes de mais nada, é preciso ter 100% de certeza de que a medida estaria atingindo o problema", complementa.

Tropenholz

Em 2004, Floresta Amazônica perdeu área do tamanho da Bélgica

Com semelhante opinião, o coordenador do SBI (Subsidiary Body of Implementation), que também estará em Montreal, acredita que este é um tema delicado para os brasileiros. "Durante a Rio 92 o governo brasileiro deixou bem claro sua posição sobre o assunto. Não cogitam a internacionalização da Floresta Amazônica. E esta é uma questão de soberania nacional", opina Gao Feng.

"Também não descarto a criação de um fundo, mas no momento não está na pauta de discussões", arrisca.

Mercado exportador

O relatório do Fundo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) afirmou que o Brasil é o país que mais perdeu florestas entre 2000 e 2005. Foram 3,1 milhões de hectares por ano.

"A devastação é uma cruel realidade, já que o desmatamento é também resultado da necessidade de espaço para a agricultura", constata Halldor Thorgeirsson. "Claro que os mercados compradores financiam a derrubada de árvores, por isso a questão é mais complexa do que parece", relata.

Para Gao Feng, a reunião de Montreal será um palco ideal para abordar o assunto. "No Canadá discutiremos o papel das florestas em países em desenvolvimento e como ajudar as pessoas a manter esses recursos de forma sustentável", explica.

Outra alternativa

Amazonas mit Niedrigwasser

Seca nos rios amazônicos pode estar associada às mudanças do clima

Declarar a Amazônia reserva florestal internacional. Apesar de a possibilidade existir, Feng vê com ceticismo a medida. "Isso quem deve determinar é a população do Brasil. Cabe somente aos brasileiros definir se sua floresta pertence ao mundo ou não", dispara.

"É um ponto que deve exclusivamente ser discutido no país. Como pulmão do mundo, a Amazônia poderia ser vista como patrimônio mundial e, como tal, não deverá ser mais tocada", argumenta.

O coordenador do SBI diz, ainda, que esta forma de subsistência, deixará, então, de existir. "O que causaria um problema econômico", prevê.

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