ONU propõe controle demográfico para combater aquecimento global | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 18.11.2009
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Ciência e Saúde

ONU propõe controle demográfico para combater aquecimento global

Menor crescimento da população mundial pode reduzir as emissões de gases estufa, afirma relatório das Nações Unidas. Documento prioriza acesso das mulheres ao planejamento familiar e a métodos contraceptivos.

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A Índia é um dos países mais populosos do mundo

A interrupção do crescimento da população mundial pode ser um auxílio importante na luta contra o aquecimento global, afirma um relatório das Nações Unidas divulgado nesta quarta-feira (18/11).

Segundo o relatório de 104 páginas, um crescimento populacional mais lento ajudaria a fortalecer a resistência social aos efeitos das mudanças climáticas e contribuiria para a redução das emissões de gases do efeito estufa. É a primeira vez que as Nações Unidas fazem uma conexão entre a pressão demográfica e as mudanças climáticas.

"À medida que o crescimento da população, das economias e do consumo extrapola a capacidade de adaptação da Terra, as mudanças climáticas podem tornar-se muito mais extremas e presumivelmente catastróficas", diz o texto. Segundo o documento, o crescimento populacional do passado é responsável por cerca de 40% a 60% do aumento das emissões de gás carbônico.

Se for mantido o atual ritmo, a população mundial deverá crescer dos atuais 6,8 bilhões de pessoas para 9,1 bilhões em 2050, afirma o relatório. Se o número de habitantes do planeta fosse limitado a 8 bilhões em 2050, deixariam de ser emitidos entre 1 e 2 bilhões de toneladas de gás carbônico.

Fortalecimento das mulheres

O documento enfatiza que as políticas populacionais sejam direcionadas para as mulheres, com foco no acesso ao planejamento familiar e a métodos contraceptivos, como preservativos.

Em todo o mundo, cerca de 200 milhões de mulheres não têm acesso a métodos contraceptivos, disse a representante alemã do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA,) Bettina Maas.

"Temos de ajudar as mulheres a tomar decisões sobre a sua própria vida", afirmou Maas. De acordo com Renate Bähr, da Fundação Alemã para a População Mundial (DSW, na sigla em alemão), 76 milhões de mulheres engravidam indesejadamente a cada ano nos países em desenvolvimento.

O relatório também destacou que as mulheres são mais afetadas pelo aquecimento mundial do que os homens, mas são amplamente ignoradas no debate sobre como combater as mudanças climáticas.

Segundo o relatório, os pobres do mundo são mais vulneráveis às mudanças climáticas e a maioria das 1,5 milhão de pessoas que sobrevivem com até um dólar diário são mulheres. "As mulheres pobres dos países pobres são as mais afetadas pelas mudança climáticas, apesar de serem as que menos contribuem para o problema", disse a diretora-executiva do UNFPA, Thoraya Ahmed Obaid.

População alemã

Na Alemanha, segundo estimativa do Departamento Federal de Estatísticas (Destatis) divulgada nesta quarta-feira, a população deverá cair continuamente nas próximas décadas. Até 2060, o número de habitantes do país cairá dos atuais 82 milhões para 70 milhões ou até mesmo 65 milhões.

Além disso, daqui a 50 anos, uma em cada sete pessoas na Alemanha terá mais de 80 anos de idade. Hoje, a proporção é de uma em 20. A expectativa de vida para os recém-nascidos subirá de 77 para 85 anos (no caso dos homens) e de 82,2 para 89,2 anos (mulheres).

O Destatis fez seus cálculos baseando-se na atual taxa de fecundidade de 1,4 filho por mulher e com o ingresso de cem mil imigrantes por ano na Alemanha. Segundo os pesquisadores, os aumentos da taxa de fecundidade e do número de imigrantes podem, no máximo, atenuar o decréscimo populacional na Alemanha.

AS/dpa/afp/rtr/ap

Revisão: Roselaine Wandscheer

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